As investigações sobre irregularidades na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) continuam. Elas são conduzidas pela Polícia Federal, em trabalho conjunto com Ministério Público Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual e Justiça Federal. De acordo com o apurado pelo Jornal da Cidade, parte das denúncias feitas já foi comprovada pelo material apreendido.
No dia 29 de outubro, 60 homens da Polícia Federal desencadearam a Operação Odontoma para apurar a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB.
No dia, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária. Foram presos Joseph Saab, presidente da associação há 14 anos; Marcelo Saab, dentista e filho do presidente; Vladmir Scarpp, superintendente e diretor financeiro; Samuel Fortunato, diretor técnico e responsável pelo setor de compras; Célio Parisi, conselheiro, e Maria Lúcia Lopes Saab, supervisora de serviço de apoio. Todos os acusados presos foram libertados no dia seguinte.
Afastamentos
Além deles, foram afastados pela Justiça de seus cargos e funções na AHB, a pedido do Ministério Público, Carla Ceppo, gerente administrativa; Antônio Carlos Catharim, membro do conselho fiscal; Dolirio Lima Menezes, vice-presidente; Darcy Bernardy, 1.º tesoureiro da diretoria administrativa; Valter Lopes da Silva, 2.º tesoureiro da diretoria administrativa; Paulo César Dotto Sanches, secretário da diretoria administrativa; Celestino Papassoni, diretor de patrimônio, e Jademir Tavares Fernandes, vice-presidente.
De acordo com Fabrício Carrer, procurador da República, a investigação ainda não foi finalizada. “O que temos hoje, corrobora muito dos elementos que tínhamos. Os indícios foram parcialmente comprovados”, destaca. Ele também observa que após a deflagração da operação, mais testemunhas surgiram. “Pessoas passaram a demonstrar interesse em denunciar problemas administrativos e trabalhistas”, observa.
“Mas temos que separar todas as informações e ter critério e cuidado para verificar se é a expressão da verdade”, enfatiza. Ele também destaca que o trabalho passa a ser mais demorado.
“Todos os envolvidos nas investigações estão empenhados em comprovar os fatos, processar os suspeitos e impor sanções aos culpados”, ressalta.
O delegado Pedro Luís Novaes, da Polícia Federal, que conduz as investigações referentes à Operação Odontoma, informa que as provas recolhidas estão sendo periciadas. Ele também informa que parte das denúncias foi confirmada pela documentação apreendida. Ele também não descarta que novos suspeitos surjam durante as investigações.
“O caso está em aberto. Mas não há previsão de cumprimento de mandados de busca e apreensão. E como é um assunto complexo, pode haver mais desdobramentos”, destaca.