08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Fusíveis

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Todo mundo sabe que eles existem, alguns até sabem para que servem e poucos sabem onde ficam. Os fusíveis são os elementos de proteção de todo o sistema elétrico do seu carro. Sem eles, qualquer curto-circuito poderia iniciar um incêndio em seu veículo, pois os fusíveis protegem os equipamentos e o chicote elétrico contra superaquecimento.

Cada componente elétrico do automóvel consome determinada energia para funcionar. Os faróis, por exemplo, consomem uma energia diferente do limpador de parabrisa em virtude da potência gerada pelo trabalho. Tudo é muito bem dimensionado pelos engenheiros e os fios têm uma bitola compatível com a corrente a que estarão submetidos. Como qualquer sistema elétrico é sujeito a falhas, ele é projetado de forma a ter proteções contra excesso de amperagem que poderia sobrecarregar o sistema e queimar os equipamentos ou derreter fios, causando fogo.

Estas proteções são justamente os fusíveis, que se queimam quando uma sobrecarga passa por eles interrompendo a passagem da corrente elétrica, protegendo os equipamentos. São práticos e simples e talvez por isso mesmo sejam tão negligenciados pelos motoristas. Muitos os trocam por outro de capacidade diferente, sem saber o dano que pode causar ao sistema.

Podem ser de vários tipos, como os plásticos, de vidro ou cerâmicos. Os mais comuns atualmente são os de plástico, simples, eficientes e fáceis de trocar. Os de vidro eram mais usados em carros americanos, enquanto que os de cerâmica vinham nos de origem européia. Estes materiais constituem a parte isolante do fusível, por onde passa um pequeno condutor de diâmetro ou espessura variáveis que liga os dois terminais. Conforme a capacidade em Ampères do fusível, o diâmetro do fio ou espessura da chapa varia, de forma que para uma amperagem superior à especificada o condutor queime e se rompa, interrompendo a ligação. Isto é uma conseqüência do efeito Joule conhecido da física, que diz que a passagem de uma corrente elétrica (amperagem) por um condutor faz com que este se aqueça, dependendo da tensão (voltagem). Assim, um mau funcionamento de equipamento, motor elétrico ou mesmo um curto-circuito pode levar o sistema a uma sobrecarga e o fusível a se queimar.

Aí está um ponto crítico para a correta manutenção. Cada circuito está preparado para suportar uma determinada corrente, portanto se houver uma sobrecarga, o fusível deverá interromper o circuito, queimando-se. Nunca se deve trocar um fusível queimado por outro de capacidade diferente, pois poderá ocasionar um acidente. Vou dar um exemplo.

Imagine que o motor do limpador do parabrisa de repente pare de funcionar. O motivo poderá ser (considerando que ainda se tenha carga na bateria, óbvio) no próprio motor, no chicote que aciona o motor, no interruptor ou no fusível. A primeira coisa que se recomenda é verificar o estado do fusível. Mas onde ele se encontra, afinal? Consulte o manual do proprietário que lá consta a informação precisa. Achado o bendito fusível, retire-o e olhe se o condutor está interrompido entre os terminais. Se estiver, substitua-o por outro igual, que sempre deverá ter de reserva no carro. Se o sistema voltar a funcionar, era só isso e pronto, pode seguir viagem tranqüilo. Mas se voltar a queimar o fusível ao ligar, pode ser um curto no sistema. Aí é levar o mais rápido possível a um eletricista para localizar e corrigir o problema.

Agora imagine que um sistema seja protegido por um fusível de 10 Ampères (ou 10A). Isto significa que o equipamento a ser protegido não suportaria mais de 10A de corrente sem sofrer danos. Se você trocar o fusível queimado por outro de capacidade de 20A, por exemplo, caso o sistema seja religado e esteja em curto, poderá passar uma corrente maior do que a que o equipamento está preparado para suportar, podendo vir este a se queimar antes do fusível.

Isto deixa claro que tudo tem motivo para ser como é, pois foi projetado para funcionar assim. Nunca substitua um fusível queimado por uma peça metálica como um parafuso, um clipe ou mesmo envolver o fusível queimado em papel aluminizado de maço de cigarros, por exemplo, como quebra-galho. Poderá ocorrer um belo incêndio! O correto na falta de um fusível reserva é retirar outro igual de um circuito menos importante (luz de teto, por exemplo) e trocar.

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.