Lins - Quatro homens fortemente armados e encapuzados, vestindo roupas pretas, invadiram na madrugada de ontem o Centro de Atenção Integral à Saúde (Cais) Clemente Ferreira, em Lins (102 quilômetros de Bauru), e tentaram arrombar o caixa eletrônico instalado na área administrativa do hospital, que atende pacientes com distúrbios psiquiátricos e neurológicos. O barulho do maçarico acabou deixando os internos agitados. Segundo a polícia, os assaltantes fugiram sem concretizar o roubo, em uma perua Kombi da unidade.
O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins, Welinton Martinez Hernandes, revela que a quadrilha chegou ao hospital, localizado no quilômetro 4 da estrada vicinal que liga Lins a Guaiçara, por volta das 3h, após cortar o alambrado que cerca o local com um alicate. Ainda na área externa, os assaltantes renderam dois vigias e um motorista, que foram trancados em uma sala.
Em seguida, um dos vigilantes foi levado pelo grupo até a recepção, no setor administrativo da unidade, onde está instalado o caixa eletrônico. “Eles tentaram, com um maçarico, estourar o caixa eletrônico que fica na recepção, mas não conseguiram”, explica o delegado. “Os assaltantes acabaram desistindo da ação, pegaram uma perua Kombi do hospital e fugiram com ela”. O grupo levou apenas a carteira de um vigilante com documentos e cartões bancários.
A diretora técnica do departamento de saúde do Cais Clemente Ferreira, Silvia Helena Tejo Marcolino, conta que, antes de deixarem o local, os bandidos subiram até o andar superior, onde ficam pacientes em tratamento intensivo, e renderam dois auxiliares de enfermagem. Os funcionários foram jogados no chão, agredidos com chutes e coronhadas e tiveram armas apontadas para suas cabeças.
“Em função do cheiro de queimado, os pacientes começaram a se agitar lá em cima, os bandidos subiram, bateram na porta e os funcionários, dois auxiliares de enfermagem, abriram”, relata. Segundo a diretora, os dois auxiliares também sentiram cheiro de queimado e abriram a porta pensando que algum vigia havia subido para comunicá-los sobre um suposto incêndio. Ela informa que já solicitou à Secretaria de Saúde reforço na segurança. “E já estamos em processo de instalação de câmeras de segurança”, diz.
A polícia ainda não tem pistas dos acusados. A perua Kombi usada na fuga também não havia sido localizada até o fechamento desta edição. Segundo o titular da DIG, pela descrição das testemunhas, as armas utilizadas pelos assaltantes durante a ação foram um revólver calibre 38, uma pistola, uma submetralhadora e um fuzil. “Foi uma ação relativamente organizada, com boas armas. Dá a impressão de que eles demonstram alguma experiência”, afirma.
O Centro de Atenção Integral à Saude (Cais) Clemente Ferreira está instalado em área de 10 alqueires. Mantida pelo governo do Estado, a unidade de saúde atende 340 internos, sendo 140 moradores do setor de psiquiatria, 20 pacientes que passam por atendimento de urgência (crise aguda) e 160 pacientes neurológicos.