09 de julho de 2026
Geral

Com cidade castigada pelas chuvas, janeiro preocupa Defesa Civil

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Castigada pela chuva desde o mês passado e iniciando dezembro com muita água – entre quarta-feira e ontem choveu 27% do previsto para o mês todo - a preocupação da Defesa Civil com Bauru agora é janeiro. Se o tempo continuar assim, há risco de a cidade enfrentar sérios problemas estruturais no início de 2010. Um valeta aberta numa rua da Pousada da Esperança com a chuva de anteontem à noite e madrugada de ontem, entre tantos buracos que surgiram e erosões que aumentaram, são indícios de que a cidade pode não suportar muito mais água nos próximos meses porque o solo está encharcado.

“Desde agosto temos tido chuva acima da média em Bauru. Se continuar assim em janeiro e fevereiro, que tradicionalmente são meses críticos do ponto de vista de chuva, corremos o risco de ter desabrigados e grandes problemas estruturais”, alerta Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil na cidade. O solo, explica, está muito encharcado e pode ceder, abrindo grandes buracos ou até causando desabamentos, com chuvas nem tão pesadas.

A preocupação maior é repetição da tragédia do início de fevereiro de 2001. Uma chuva pesada atingiu a cidade por pouco mais de 40 minutos, causando uma fortíssima enchente que matou quatro pessoas. Desde então, várias obras para drenar a água da chuva foram realizadas e Bauru não mais registrou mortes em enchentes.

Mas ainda há muitas casas em áreas de risco, como nas margens do córrego da Grama. No início da manhã de ontem uma casa de alvenaria no Jardim Flórida, que nem estava em área considerada de risco, desabou. “O solo salopou por baixo da residência, que caiu rapidamente. A sorte é que a moradora estava acordada, percebeu uma leve movimentação na estrutura da casa e saiu do imóvel pela janela porque a porta já não abria. Se ela estivesse dormindo, poderia ter morrido”, relata Brito.

A mulher, cujo nome não foi divulgado, saiu apenas com a roupa do corpo. Apesar da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) ter oferecido abrigo, ela preferiu ir para casa de parentes. Toda a mobília foi destruída. “A sorte é que é a única casa nas imediações porque surgiram várias erosões”, completa Brito.

A Pousada da Esperança também foi muito afetada pela chuva entre anteontem e ontem. Surgiram vários buracos em ruas de terra que dificultam até o trânsito de pedestres. O maior deles é na quadra 5 da rua Takuji Takenaka. A valeta, logo no final do trecho recém-pavimentado da via, tem cerca de 25 metros de extensão por 10 metros de largura e profundidade média de um metro.

A cratera foi aberta pela enxurrada, que desceu com muita força sobre a rua pavimentada logo acima. “Fizeram o asfalto, mas esqueceram das bocas-de-lobo. Então a água da parte alta corre com força sobre o asfalto e abriu buraco lá embaixo, na divisa com a parte pavimentada, que já começou a levantar”, critica Alcindo Marciano, morador da via.

“O asfalto é novinho, tem cerca de 15 dias, e pode estragar mesmo antes de chegar a conta”, completa. A Secretaria Municipal de Obras informa que já iniciou os trabalhos de recuperação dos estragos provocados pelas chuvas na Pousada da Esperança. Em relação à drenagem de águas pluviais, a Prefeitura dará continuidade à implantação do sistema na região.

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Lama

Além da valeta e dos vários buracos nas ruas da Pousada da Esperança, duas casas pelo menos foram invadidas por enxurrada e lama. Marlene Campos mora há 11 anos no Pousada da Esperança e sempre sofreu com a falta de asfalto. Porém, nos últimos meses ela conta que a situação piorou.

A moradora da rua Maurícia Pereira Lima relata que desde que foram construídas galerias para águas pluviais na via, quando chove, a lama desce com a enxurrada e chega a entrar até a garagem. “Ontem (anteontem) a gente conseguiu impedir (a lama) de entrar em casa. Mas não sei se na próxima chuva vai dar certo”, revela a moradora que teve de utilizar uma enxada para retirar a lama da frente da residência.

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Até amanhã podem ocorrer pancadas

A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista é de pancadas de chuva em Bauru hoje e amanhã. O tempo continuará instável com 80% de probabilidade de chuva. No domingo a temperatura deve permanecer alta, o céu nublado, mas a probabilidade de precipitação é de apenas 5%.

Apesar da chuvarada do mês passado e dos três primeiros dias deste ano, André Mendonça de Decco, meteorologista do IPMet, afirma que não há anormalidade. A precipitação acumulada neste ano, de janeiro a novembro, é de 1.264 milímetros e a média anual é de 1.508 milímetros.

“Não há nada de alarmante quanto à chuva. O que ocorreu é que tivemos um inverno chuvoso e o mês passado também foi chuvoso. Por isso a sensação de que está chovendo muito, mas está dentro da média prevista”, completa.