09 de julho de 2026
Bairros

Morre Walter Comini, o ‘mago das finanças’ na década de 80

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Conhecido por ser o responsável pelo bom desempenho das finanças da prefeitura de Bauru na primeira gestão de Tuga Angerami, Walter Comini morreu na madrugada de anteontem, aos 83 anos. Além de ser conhecido como “mago das finanças”, na época, ele também foi delegado da receita Federal e presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Ele também dedicou boa parte de sua vida a projetos sociais e ao Centro Espírita Amor e Caridade. Segundo sua família, a saúde de Comini estava bastante debilitada pelo agravamento do Mal de Parkinson, doença que combatia há 20 anos.

Comini nasceu em Mineiros do Tietê e morou em Itapuí antes de chegar a Bauru, em 1969. Formado em direito, começou a ter maior contato com finanças quando assumiu posto de auditor da Receita Federal. “A prática desse exercício o levou a aprender e se aprofundar em economia”, explica seu filho Marcos.

Segundo o amigo e colega de trabalho Mauro Pompilio, Comini foi o primeiro delegado da Receita Federal de Bauru. “Quando foi inaugurada a Delegacia (da Receita Federal) em Bauru, ele foi o primeiro a dirigir a unidade. Ele ficou por dois e meses e foi transferido para São Paulo”, lembra.

Amigo de Roberto Purini, ele entrou para a prefeitura quando Édison Bastos Gasparini assumiu o executivo, em 1983. Gasparini morreu um mês antes de completar seu primeiro ano no Palácio das Cerejeiras e seu vice, Tuga Angerami, assumiu a prefeitura. Comini foi mantido na Secretaria Municipal das Finanças, onde se destacou. Pelas suas realizações na prefeitura, foi nomeado presidente da Cohab, onde atuou por dois anos.

“Em seguida, ele se aposentou profissionalmente, mas foi desenvolver seus projetos filantrópicos. Meus avós eram atuantes dentro da doutrina espírita e ele também. Fundou centros espíritas em Pederneiras, Itapuí, sempre atuando nos projetos sociais dessas entidades”, lembra Marcos. Comini também foi diretor do Centro Espírita Amor e Caridade e iniciou no presídio de Cabrália Paulista um projeto de auxílio e geração de renda para mulheres que cumprem pena. Há dois anos, a iniciativa foi rebatizada em sua homenagem e passou a se chamar “Projeto Comini”. “Ele levava conforto espiritual às mulheres que estavam cumprindo pena. Mas percebeu que poderia fazer mais e começou a auxiliar suas famílias e também desenvolvendo projetos de artesanato, para geração de renda”, lembra Marcos.

A atuação de Comini entre as presidiárias foi tão marcante que elas solicitavam sua ajuda nas mais diversas situações. “Houve uma vez, uma rebelião em Cabrália e as mulheres não exigiram a presença de um juiz. Pediram que o “seo“ Walter fosse interceder por elas. E ele foi”, conta Eliane Maggi Diaz Parra.

O amigo Pompilio lembra que mesmo trabalhando em São Paulo, Comini sempre buscava alguma doação para trazer para alguns dos projetos que atuava em Bauru. “Era extremamente dedicado ao trabalho, tinha grande responsabilidade, mas nunca se esquecia das necessidades alheias. Ele desenvolveu o projeto em Cabrália, também atuava em ações sociais em Itapuí. Além disso, sempre estava disposto a receber em sua casa pessoas que pediam orientação”, recorda.

E foi exatamente seu envolvimento com obras sociais que mais marcou sua família. “Ele sempre nos ensinou que jamais podemos deixar de ajudar o próximo. Uma pessoa caridosa e de alma iluminada, que fez de tudo para ajudar muitas pessoas, e conseguiu”, conta Juliana, sua neta.

De acordo com Marcos, há três anos o estado de saúde de seu pai começou a se agravar. “Ele já estava com dificuldade de locomoção, sua saúde estava bastante comprometida”, conta. Por volta das 1h de ontem ele passou mal e acabou morrendo a caminho do hospital, em Bauru. O corpo de Comini foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério Jardim do Ypê. Ele deixa a esposa Maria José Guerini Comini, a Zezé, sete filhos, genros, noras, netos e bisnetos.