08 de julho de 2026
Geral

Calor e chuva: infestação de pernilongo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Pequenininho, com seu zunido irritante, o pernilongo tira o sono de muita gente. Mais ainda nesta época do ano, de calor e muita chuva, em que está se reproduzindo. Para fortalecer os ovários e pôr seus ovos, a fêmea deste inseto sai em busca de sangue, inclusive humano. É por isso que Bauru, principalmente as regiões próximas a rios e córregos, está infestada de pernilongos.

O biólogo Dorival José Coral, que é professor na Universidade do Sagrado Coração (USC), explica que a cidade é um local propício para o pernilongo: o inseto encontra alimento à vontade, ambientes para procriar e tem poucos predadores. “Num ambiente de floresta preservada, há controle populacional em função da cadeia alimentar”, frisa.

Ele ressalta que alguns bairros de Bauru vêm sofrendo com os pernilongos desde a primavera, que já foi chuvosa. “Isso é sazonal. No ano passado tivemos muito pernilongo, e agora está na época”, completa. O também biólogo Roberto Marono lembra que nesta época de chuva formam-se muitas poças temporárias, que as fêmeas aproveitam para depositar seus ovos.

“A larva se desenvolve rápido. Em cerca de 15 dias já é um pernilongo adulto”, ressalta. Para ele, as infestações do inseto nas cidades já podem ser reflexo do aquecimento global. E, para piorar, o uso de inseticida de maneira indiscriminada pela população para tentar proteger-se levou ao surgimento de populações de pernilongos resistentes ao veneno.

Foi o que comprovou uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) feita com animais nas imediações do rio Pinheiro, que é poluído, divulgada no primeiro semestre deste ano. “Há uma seleção natural de maneira que os insetos mais resistentes a inseticidas dão origem a uma população toda”, diz Coral.

Resta ao cidadão se munir de repelente natural, colocar tela protetora nas janelas, usar repelente eletrônico ou até mesmo venenos, o que requer cuidado . Vizinho do córrego Água da Forquilha, o motorista João Carlos Donato lança mão de pastilha de citronela - planta que repele insetos – e de repelente eletrônico em aparelho. “E se ainda não der jeito ligo o ventilador”, frisa.

Quem mais sofre na família é a filha de Donato, que é alérgica. “Quando ela é picada, além da coceira, a região fica vermelha, enfebrada”, relata.

Entre os produtos existentes no mercado para repelir ou matar pernilongos, os inseticidas em aerosóis são os mais vendidos numa rede de supermercados de Bauru. Aldemir Raboni, gestor de compras da rede, diz que atrás estão os aparelhos de tomada que funcionam com refil. “Esses aparelhinhos estão mais em conta. Atualmente, tem aparelho com refil por R$ 3,99”, diz.

A procura pelos produtos antipernilongos nas lojas da rede está grande. “Em 2007 tivemos um pico de vendas. E neste ano também estamos vendendo bastante”, conta ele que estima que até março as vendas deste segmento estarão em alta.

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Proteção natural é a melhor

Para se proteger dos indesejados pernilongos há métodos naturais, como fechar portas e janelas no início da noite (horário que normalmente eles entram nas casas), espalhar vasos de citronela - planta que repele insetos - queimar vela ou usar outro produto à base desta erva e colocar tela protetora nas janelas e portas. Essas medidas são mais indicadas porque não representam risco ao ser humano nem ao meio ambiente.

Apesar da tela protetora ser removível, não é muito utilizada porque prejudica a estética das janelas e portas. O marceneiro Antônio Félix Cristianini conta que entre outubro e novembro fez e instalou o equipamento em quatro residências de Bauru. “Tem gente que não gosta porque acha que fica feio. E se a janela abrir para fora não dá para instalar porque ela precisa ser fixada por fora. Assim como em muitos prédios não há espaço”, diz ele que cobra cerca de R$ 110,00 por uma tela de janela.

Mais recentes e bastante usados são os repelentes eletrônicos, os aparelhinhos colocados nas tomadas. Mesmo esses têm que ser usados com cuidado para que não haja risco de intoxicação de humanos. “É preciso manter uma janela do ambiente aberta para ventilar e não ficar muito perto dele”, orienta o biólogo Dorival José Coral.

Os venenos vendidos em forma de aerosol costumam ser bastante eficientes, mas podem causar intoxicação de quem está no ambiente alerta Álvaro José de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru. “Os venenos sem cheiro são ainda mais perigosos”, frisa. “O melhor mesmo é usar repelente natural ou tela na janela”, completa o biólogo Roberto Marono.

“E para crianças, mosquiteiros”, completa Coral. Após ser picado pelo inseto, a orientação do biólogo é tentar não coçar a região. Isso evita a inflamação.