Paciência. Essa é a palavra-chave para quem não quer se irritar logo nas primeiras horas do dia ou quando está voltando para casa ou indo para a aula no fim da tarde. O trânsito, em determinados pontos da cidade, serve para testar o quanto um motorista consegue se controlar para não meter a mão na buzina ou xingar quem vai a sua frente. E o pior, o teste é diário e, normalmente, é “aplicado” pelo menos duas vezes: uma na ida ao trabalho e outro na volta para casa.
Essa é a rotina de milhares de bauruenses, nativos ou adotivos. Entre eles está a secretária Érica Aparecida Marana Mieli, que mora na Vila Falcão e trabalha no Centro. Ela é obrigada a passar pela rotatória da Praça Chujiro Otake e pelo viaduto Nove de Julho, dois pontos complicados, todos os dias úteis.
Apesar desse teste fazer parte de sua rotina há anos, ela diz que não tem como se acostumar. “Tem dia que você sai de casa com a cabeça cheia de problemas ou atrasada para o serviço e ainda tem de enfrentar um trânsito que não anda. É difícil”, reclama. “Para piorar, a gente não vê nenhuma obra para mudar isso. Não há perspectiva de melhora”, observa. “É para acabar com o dia de qualquer um.”
A funcionária pública Melissa Tonelli é outra vítima dos congestionamentos. Moradora da Vila Independência, para fugir do trânsito lento da avenida Castelo Branco, ela prefere um caminho alternativo que já não funciona tão eficientemente como há algum tempo atrás. O desvio é feito pela rua Nicola Maximino, mas essa não tem sido mais uma boa alternativa. A exemplo da Castelo, a fila de carros nessa rua também está desafiando a paciência dos motoristas.
Melissa passa por ali faz três anos, mas ultimamente não tem compensado. Ela conta que a situação piorou depois que a avenida Comendador José da Silva Martha entrou em obras. Para não passar por aquele trecho, muitos motoristas estariam desviando para a Castelo e para a Nicola Maximino. “Se já era complicado antes, com isso a rua ficou intransitável”, lamenta.
Conclusão: ela ficou sem alternativa. As duas opções que ela tem para ir ao trabalho (Castelo e Nicola Maximino) ficam lotadas de veículos todos os dias. “É um estresse logo cedo”, diz.
O técnico bancário Robinson Haneda Coutinho, por sua vez, passa nervoso no outro lado da cidade. Ele mora no bairro Mary Dota e está entre os milhares que utilizam a avenida Nuno de Assis, passando por baixo do viaduto da rodovia Marechal Rondon, todos os dias para ir trabalhar e depois voltar para casa.
Segundo ele, os acidentes são constantes naquele local. Além disso, no caminho para o trabalho, ele conta que presencia várias manobras arriscadas. Robinson utiliza a Rondon. De acordo com ele, existe um trecho da rodovia que se transforma em uma avenida, principalmente na parte da manhã e no fim da tarde. Carros se misturam com os caminhões, que não respeitam a sinalização de trafegar pela pista da direita e insistem em ultrapassar na subida, provocando lentidão e fila de veículos.