A diversidade de sentimentos que o Natal provoca nas pessoas tem a ver com as experiências que elas viveram nessa época, especialmente na infância. Para a psicóloga Marta Alice Nelli Bahia, é isso que nos faz gostar mais ou menos do Natal.
Pessoas que passaram por experiências negativas têm uma tendência maior de se fechar em torno de si mesmas, ou dentro de um quarto, de uma casa para fugir do clima que toma conta da cidade e dos seus semelhantes.
Segundo ela, o Natal é cheio de simbolismo e está muito ligado ao amor, à afetividade, ao estar junto com a família, e isso faz com que as pessoas lidem de forma diferente com esse momento. Perder um ente querido durante o ano, com certeza, vai ofuscar um pouco o brilho do Natal. A saudade, o sentimento de perda provocam uma angústia, mesmo que discreta, no ser humano.
Alguns jamais superam essas experiências negativas e passam o resto da vida fugindo do Natal. Uma senhora de 80 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, contou a este repórter que toda vez que chegava o dia da ceia, o momento da celebração, tomava dois calmantes para dormir o tempo todo e só acordar quando a festa já tinha passado, inclusive o almoço.
Segundo Marta, para superar esse trauma é preciso querer, ou seja, se permitir uma abertura para viver e desfrutar o presente, soltar as amarras que prendem ao passado. “É preciso sair um pouco de si e estar para o outro”, recomenda.
Ela lembra que a ceia, um dos símbolos do Natal, tem justamente esse significado, o de compartilhar com o outro o alimento e as alegrias daquele momento.
Para a psicóloga, a importância do Natal vai além da celebração, da troca de presentes, da reunião de famílias. A data, segundo ela, serve para inserir as pessoas em uma atmosfera diferente daquela que prevalece o ano todo. Sai de cena a competição, o estresse e o individualismo. É hora de pôr o pé no freio, de se aproximar das pessoas, de reflexão, de compaixão, de buscar o equilíbrio de forças, de se encher de energia positiva.