08 de julho de 2026
Geral

Grandioso, Mary Dota completa 19 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Considerado um dos maiores conjuntos habitacionais da América Latina, o Núcleo Mary Dota, com suas 3.638 residências, está completando 19 anos de existência, este mês. Inaugurado em 8 de dezembro de 1990, o bairro impulsionou o desenvolvimento de toda a região Leste da cidade.

Depois dele, outros bairros surgiram, mas nenhum com a grandiosidade e a infra-estrutura comercial e de serviços que o Mary Dota oferece. Apesar de ser visto como uma cidade dentro de Bauru, o bairro tem algumas carências que os pequenos municípios não têm, como, por exemplo, áreas de lazer.

É de praxe em cidades menores que o bairro do Mary Dota haver uma praça onde os moradores costumam se reunir e passear e onde, normalmente, são organizados eventos culturais. O Mary Dota não tem essa praça e, praticamente, nenhuma outra área que ofereça um pouco de lazer ou uma oportunidade para se exercitar, como uma quadra ou espaço para caminhadas.

Se o bairro é carente em áreas verdes, para prática de esportes e de lazer, o mesmo não pode ser dito quando o assunto é a área comercial e de serviços. Se para buscar divertimento os moradores têm de deixar o bairro, quando eles precisam de supermercado, farmácia, padaria, açougue, quitanda, casa lotérica, loja de roupas, locadora de filmes, escola e muitos outros serviços está tudo lá.

É essa riqueza de opções que faz com que muitos moradores se sintam motivados a continuar no bairro. “Aqui tenho tudo o que eu preciso”, afirma o empresário Maurílio Pereira, 46 anos. Um pouco mais de conversa e descobrimos que falta sim alguma coisa para que a alegria do morador seja completa. “Falta um pesqueiro”, brinca Maurílio, um apaixonado por pescaria.

Ele está no bairro desde sua inauguração, em 1990. Ele lembra da época que “havia só mato” ao lado da casa. Hoje, está tudo tomado por construções. Além da falta de um pesqueiro, a outra coisa que incomoda o empresário é uma viela que passa ao lado de sua casa, que tem sido utilizada para a venda e o consumo de drogas durante a noite. Segundo ele, o problema seria resolvido se a prefeitura transformasse a viela em uma rua.

A infra-estrutura invejável do Mary Dota foi decisiva na hora do vigilante Ademir Araújo, 34 anos, escolher onde comprar uma casa. Assim que chegou de Iporã, no Estado do Paraná, ele foi morar em uma casa alugada no bairro Bela Vista. Permaneceu lá durante dois anos com a mulher, filha e o sogro.

Depois disso, decidiu comprar uma casa e escolheu o Núcleo Mary Dota como a nova morada. Segundo ele, passado oito anos, não se arrependeu da escolha. “Foi uma decisão acertada. Não temos a mínima vontade de sair daqui”, afirma.

Na opinião dele, o que poderia melhorar no bairro é o atendimento médico. O local conta com serviço de Pronto-Socorro, mas é precário, segundo o vigilante. Além disso, seria importante reabrir o Posto de Saúde do bairro, que está fechado há vários anos.

O comerciante Nilson Antônio Alves, 58 anos, dos quais 6 vividos no Mary Dota, aponta outros dois presentes que os moradores do bairro adorariam receber nesse aniversário. Um deles é melhorias na sinalização de trânsito, principalmente na avenida Marcos de Paula Rafael.

Considerado o principal corredor de escoamento do tráfego no bairro, a avenida recebe um fluxo muito grande de veículos nos horários de picos. Por causa dos inúmeros cruzamentos sem semáforos, o trânsito fica perigoso na avenida. Toti, como o comerciante é chamado pelos moradores, tem uma mercearia em frente a um desses cruzamentos e diz ter presenciado vários acidentes.

O outro presente, segundo ele, é um melhor patrulhamento policial pelas ruas do bairro, especialmente à noite. De acordo com Toti, isso provocaria um sentimento de segurança nos moradores que precisam sair ou chegar em casa à noite.

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Origem do nome

O bairro recebeu o nome de Mary Dota para prestar uma homenagem a uma ex-funcionária da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Ela voltava de uma convenção em Brasília, acompanhada do marido Milton Dota, quando o veículo em que viajavam colidiu com outro, causando a morte dela.

Como o acidente ocorreu durante a construção do conjunto habitacional, a Câmara Municipal, cujo presidente era o marido de Mary, decidiu prestar essa homenagem à funcionária.

Mary Dota era psicóloga e trabalhava com a promoção social dos moradores das casas populares financiadas pelo órgão. Ela organizava cursos profissionalizantes de manicure, pintura e outros como forma de reforçar o orçamento domésticos das famílias.