Há 14 anos o fabricante de barbantes Carlos Teixeira tinha que tingir os barbantes para a venda. Além de dobrar o preço, o tingimento atingia o meio ambiente com metais pesados. Mas dois processos inovadores ajudaram ele a produzir barbantes ecologicamente corretos.
No primeiro deles, ele aprendeu a transformar retalhos de malhas em algodão e aproveitar a cor original.
“As sobras de malhas iam para o lixo. Pegamos as sobras, toneladas de malhas, colocamos em um equipamento que rasga o tecido fazendo ele voltar a ser fibra. Ele vira algodão de novo com a vantagem de conservar a cor original.”
Ao invés de mandar toneladas de retalhos para o lixo, reaproveita-se e evita o tingimento à base de metais pesado. “Democratizou o uso do barbante. Antes da adoção desse processo, o produto tinha o dobro do preço.”
Ao adotar a medida, o fabricante pensou que ganharia um diferencial. “Os clientes preferem os produtos ecologicamente corretos. Eu divulgo o processo aos clientes para que eles sejam consumidores conscientes.”
O outro produto usado na fábrica é um tipo de algodão conhecido por algodão do Nordeste. “A fibra já vem colorida, nasce colorida. É uma semente geneticamente modificada, não precisa tingir. Tem na cor marrom claro, verde e azul.”
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Pets que viram camisetas
“Eu faço a diferença no mundo” com este slogan as amigas Vanda Ferreira e Sílvia do Prado resolveram fabricar camisetas com 50% de poliéster reciclado de garrafas pets. Considerando que diariamente no Brasil são descartadas erradamente 20 milhões garrafas pets e que cada camiseta contém duas delas, a alternativa é apontada como uma maneira de livrar o planeta de tanta poluição.
Vanda Ferreira frisa que o planeta leva 450 anos para decompor uma garrafa pet. “Quando ela está junto com o lixo orgânico pode prejudicar a absorção do orgânico pela terra.”
A malha da pet é feita 50% algodão e 50% poliéster reciclado de garrafa. Para cada camiseta é preciso duas garrafas que são retiradas do meio ambiente. “As garrafas são recolhidas, modificadas e transformadas em fio. A camiseta de pet além de ser ecologicamente correta é mais resistente, não precisa passar, não esgarça e não encolhe.”
O apelo ecológico é forte no setor de confecções, concorda Vanda Ferreira. “Vamos começar a fazer estampas. Com tintas à base de água.”
Vender as camisetas não tem só o objetivo ecológico e bem tão pouco comercial para as sócias. A venda pode resultar na fundação de uma casa para abrigar, tratar apoiar moradores de rua e pessoas que precisem de ajuda na Capital.