07 de julho de 2026
Ciências

Ciência quer vida em código de barras


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Cientistas de todo o mundo estão participando de um esforço internacional para estabelecer a técnica de DNA barcoding – ou código de barras de DNA – como padrão global para a identificação de espécies biológicas.

Os avanços no desenvolvimento da técnica e os rumos dessa iniciativa internacional foram o foco da discussão do Simpósio Internacional sobre DNA Barcoding do Programa Biota-FAPESP, que teve início na última quinta-feira na sede da Fundação, em São Paulo.

DNA barcoding é um método que utiliza um trecho do DNA de cerca de 650 nucleotídeos como marcador para caracterizar espécies. Trata-se de uma sequência extremamente curta em relação à totalidade do genoma, que nos humanos, por exemplo, tem 3 bilhões de pares de bases.

A ordem dos nucleotídeos nesse trecho de DNA, extraído de uma sequência de pequenos fragmentos previamente padronizados de genes, é semelhante entre os indivíduos, mas divergente em relação às diferentes espécies, possibilitando a identificação.

O método, que tende a ser rápido e barato, pode identificar uma espécie a partir de uma pequena amostra de tecido. Por isso, tem aplicações potenciais que vão desde o combate à biopirataria até o controle de pragas e a investigação forense.

De acordo com uma das coordenadoras do simpósio, Mariana Cabral de Oliveira, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), o evento marca a entrada efetiva da comunidade científica brasileira na iniciativa global para o desenvolvimento da nova ferramenta.

“Há um esforço internacional sendo feito para a aplicação dessa ferramenta em todas as espécies. Há pesquisadores brasileiros colaborando com o grupo do Canadá que está encabeçando o projeto mundial de DNA barcoding, mas essa participação ainda é individualizada. A ideia é que o Brasil entre nisso de forma mais ampla e efetiva”, disse à Agência Fapesp.

Segundo Mariana, que faz parte da coordenação do Biota-FAPESP, a comunidade internacional que está trabalhando com o DNA barcoding manifestou interesse na participação do Brasil nos projetos. “O Brasil é considerado central nesse processo por ser um país megadiverso. Sem a nossa participação, haveria uma grande lacuna no estudo dos seres vivos”, afirmou.

O objetivo final do projeto internacional é criar uma biblioteca de códigos de barra de todas as espécies de seres vivos. “Neste momento estamos focando nas espécies eucarióticas – aquelas cujas células têm núcleos –, definindo os marcadores associados a cada uma delas”, explicou.

Participam do simpósio cientistas envolvidos com diferentes grupos de organismos, como plantas, insetos, aves e peixes. O objetivo é mostrar como a nova ferramenta pode ser usada em cada um dos grupos e quais são as dificuldades e limites para aplicação.

“Estamos discutindo as especificidades, as possíveis soluções para os obstáculos e o potencial de sucesso do DNA barcoding para cada grupo. Trouxemos especialistas para mostrar o que vem sendo desenvolvido em cada um dos grupos, além de outros que apresentarão um panorama mais amplo sobre a técnica”, explicou.

Os cientistas brasileiros também participaram, segundo Mariana, mostrando o que está sendo feito no país na área. “A ideia é indicar como essas pessoas podem se associar, montando um esforço regional que possa ser integrado à iniciativa internacional”, disse.

O Biota-FAPESP, segundo ela, reconheceu, em reunião realizada em junho, que o DNA barcoding é uma ferramenta fundamental para estudar a biodiversidade. “A comunidade que participa do Biota está tentando organizar isso de forma mais efetiva. Estamos discutindo se isso deverá ser feito na forma de um edital, ou de um envolvimento mais amplo, em nível federal”, contou.