09 de julho de 2026
Bairros

Sérgio Losnak sugere tombamento

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

Mecanismo usado por sociedades para instituir seus lugares e seus significados, por meio da sociedade civil aliada ao poder público, o tombamento é visto com uma das alternativas para a preservação do patrimônio histórico bauruense. “Imposto por lei, até mesmo pela dificuldade que a sociedade tem deste entendimento, o tombamento é uma das alternativas para preservamos a identidade cultural do nosso povo. Muitas sociedades não precisam deste mecanismo porque a própria consciência cultural das pessoas já colocam alguns sistemas de proteção, até mesmo sem mecanismos legais”, afirma Sérgio Losnak, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac).

Para ele, a falha está na educação patrimonial, na explicação direcionada aos mais novos sobre o que é patrimônio, do valor da história e até mesmo da memória de cada povo. “A educação patrimonial é essencial para que as novas gerações tenham entendimento da sua história. Mas é claro que essa seria uma solução a longo prazo”.

A médio e curto prazos, Losnak sugere políticas públicas mais definidas, além da recuperação de alguns espaços, como antigos hotéis.

De acordo com o arquiteto Hedivaldo Canho, presidente da regional Bauru do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a preocupação na preservação do edifício está relacionada à cultura e à história que ele agrega. “A nossa preocupação maior é com a cultura. Quando levamos à discussão o tombamento de um patrimônio arquitetônico é porque ali está contida uma história que demostra toda a realidade da sociedade em que vivemos”, explica. “Se não for assim, onde vamos colocar tudo isso? Por meio de imagem? O tombamento ainda é a alternativa mais viável. Imagens são importantes, mas se dissolvem com o tempo.”

____________________

Incentivo

Uma alternativa estudada pela Prefeitura de Bauru para a preservação da história é a isenção de impostos para os proprietários de espaços que fazem parte da memória da cidade. “Os bens tomados são coletivos, mesmo sob controle do particular. Conseqüentemente, recuperar e manter esse espaço é responsabilidade da sociedade”, explica Sérgio Losnak, presidente do Codepac. “Ao invés de pagar IPTU, o proprietário do bem tombado investe esse dinheiro na recuperação do bem.”

Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, a administração pública estuda diversas outras alternativas para manter a memória da cidade. Um exemplo, já concluído, foi a locação do prédio do antigo Automóvel Club, que hoje é sede da banda e da orquestra municipal. “O espaço passava por dificuldades financeiras, e por meio da locação conseguimos fazer a manutenção e preservar o local”, conta.

Agostinho afirma que há esforços para preservar a história da cidade, que tem 113 anos de emancipação política. Um processo avançado de preservação realizado pela prefeitura é o da Casa dos Pioneiros, na rua Araújo Leite. Conhecida como a construção mais antiga da cidade, a administração pública trabalha para a desapropriação do imóvel que está em estágio precário, inclusive parte da construção já desabou. “Em todos os casos, vamos fazer uma análise para mantermos as características originais. Temos essa preocupação”, finaliza o prefeito.