Botucatu - A Polícia Civil de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar suposta agressão cometida por integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) contra um jovem de 20 anos, morador de Bauru, na madrugada do último sábado. A vítima alega que viajou até a cidade na última quinta-feira para visitar os dois filhos recém-nascidos que estão internados no Hospital das Clínicas (HC) da Unesp. A CGM nega que houve a agressão.
Segundo o delegado Marcos Morés, responsável pelo 2º Distrito Policial (DP) de Botucatu, Welton Braz dos Santos afirma que foi agredido por cinco guardas-civis municipais na madrugada de sábado. O jovem contou à polícia que viajou até Botucatu na quinta-feira, acompanhado da mulher e da enteada de dois anos de idade, para visitar os filhos que nasceram prematuros há cerca de um mês e estão internados no HC.
A passagem de ônibus até Botucatu teria sido fornecida pelo serviço social de Bauru. Após a visita, e sem dinheiro para retornar à cidade de origem, ele teria entrado em uma casa desocupada, localizada na rua Cruz Pereira, na vila dos lavradores, e pernoitado com a família no local. Na sexta-feira, segundo o delegado, eles teriam perambulado pela cidade pedindo esmolas com o objetivo de juntar dinheiro para voltar a Bauru.
Como não conseguiram o dinheiro da passagem, o titular do 2º DP diz que o jovem decidiu retornar ao imóvel e pernoitar no local por mais uma noite. Durante a noite, em razão do frio, a mulher e a enteada teriam saído para pedir aos moradores das imediações agasalhos e cobertores. Nesse momento, atendendo a chamados de populares, viaturas da GCM foram até a residência checar denúncia de que desconhecidos estariam no local.
A partir daí, o delegado informa que os depoimentos prestados pela vítima e por guardas-municipais começam a apresentar contradições.
Welton afirma que os cinco guardas chegaram, retiraram ele da residência, o levaram até um matagal perto da Unesp e iniciaram as agressões. Uma moradora das proximidades o ajudou e acionou a Polícia Militar (PM), que o levou até o plantão da delegacia. No momento em que a ocorrência era apresentada, uma viatura da GCM esteve no local e dois integrantes foram reconhecidos pela vítima como sendo seus supostos agressores.
A GCM nega as acusações. Segundo Morés, um dos guardas-civis municipais chegou a prestar depoimento e contou que a viatura esteve no imóvel, conversou com Welton, pediu para que ele deixasse o local e o levou até o albergue municipal. Quando eles iriam desembarcar do veículo, já em frente ao albergue, o jovem teria saltado da viatura e saído correndo.
Em razão dos diversos hematomas e escoriações pelo corpo, a polícia solicitou que a vítima passasse por exame de corpo de delito. O delegado diz que vai ouvir os envolvidos para apurar a veracidade da denúncia, registrada como abuso de autoridade. A polícia também informa que precisa checar a informação repassada pelo Hospital das Clínicas de que, no registro de entrada dos recém-nascidos, os pais informaram morar em Lençóis Paulista.
Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de Botucatu disse que o secretário municipal de Segurança, Adjair de Campos, instaurou inquérito na Corregedoria da GCM para apurar a denúncia. O órgão já estaria em posse dos Boletins de Ocorrência das polícias Militar e Civil. Segundo o secretário, os guardas-civis negam a suposta agressão contra o morador de Bauru.