08 de julho de 2026
Articulistas

O bom, o mau e o feio

José Afrânio Scaramucci
| Tempo de leitura: 2 min

Podemos comparar o Brasileirão de 2009 ao western "The Good, the Bad and the Ugly (O Bom, o Mau e o Feio)", rebatizado no Brasil como “Três homens em conflito”, protagonizado por Clint Eastwood. A conquista do Flamengo (“the Good”, aos olhos dos diretores deste longa-metragem chamado Brasileirão 2009), um time comprovadamente limitado, sintetiza um campeonato em que nenhum dos participantes mostrou pinta de campeão. O que era para ser verde, ou tricolor, terminou rubro-negro. Afinal, o que ninguém queria é ver novamente o Jason, “the Bad” do Morumbi, levantar novamente a Taça deste campeonato. Nem os diretores, muito menos os produtores deste filme.

Assim, como no filme, sobrou para o Feio. O Palmeiras, que liderou boa parte do campeonato, sucumbiu frente à própria feiura. Feiura em competência e equilíbrio emocional. Os cartolas, vilões em outras ocasiões, desta vez não contribuíram para a derrocada alviverde. Pelo contrário, garantiram, no meio do ano, que nenhuma estrela seria vendida. E cumpriram a promessa.

Muricy, “the nervous”, veio como reforço e mostrou-se um equívoco. Afinal, assumiu o Palmeiras, treinado por “Little George”, após um acachapante três a zero no Corinthians em Presidente Prudente.

E, como no filme, o Palmeiras se equilibrou com a corda no pescoço nas últimas rodadas, acabando por não conseguir nem uma vaga na libertadores. De quem seria a culpa? Segundo alguns, de Vagner Love que, com seu salário milionário, enciumou o elenco. Segundo outros, das contusões de importantes jogadores na reta final.

Mas, pensando bem, a culpa mesmo é do roteirista deste filme. Que, desejando o final feliz com o “The Good”, gargalhou com as trapalhadas da arbitragem em jogos-chave, como a do Simon no jogo Fluminense e Palmeiras. Afinal, se ele não anula o gol legítimo do Obina, hoje o Palmeiras estaria comemorando a classificação para a Libertadores e o Coritiba a permanência na primeira divisão.

Para garantir o climax, o roteirista procurou eliminar “the Bad” instantes antes da cena final, que, pelas mãos do STJD, tiveram nada menos que seis titulares suspensos nos jogos finais. Isso sem falar que o roteirista livrou também os amigos do mocinho da morte certa no final, sacrificando a tribo dos Coxas em seus lugares.

E como todo mocinho tem sorte, o confronto final foi contra um desfalcado e desmotivado adversário que jamais aceitaria que “the Good” perdesse a guerra para os peles vermelhas do Sul. Nem com a ajuda da cavalaria e do General Souza, que também foram dispensados.

Neste filme, estranhamente, os créditos que rolam após a cena final omitiram o nome do roteirista. Afinal, como já dito anteriormente, a culpa é dele. Ingenuidade a nossa, simples espectadores, em acreditar que em um western, o mau e o feio pudessem ter alguma chance contra o mocinho.

O autor, José Afrânio Scaramucci, é radialista e apresentador do “Jornal da Princesinha” na Rádio Princesinha FM, em Gália/SP. afranio@scaramucci.com.br http://www.princesinhafm.com.br/jornaldaprincesinha.htm