Em cinco meses na rua, após 1 ano e 8 meses de prisão por acusação de formação de quadrilha, Ricardo (nome fictício) já recebeu vários convites para crimes. “Principalmente tráfico”, conta ele, que diz não se iludir em conseguir emprego formal por causa da condição de ex-presidiário. Como antes de ir para cadeia, continua fazendo bicos.
Mas Ricardo frisa que tem a sorte de contar com a ajuda da mãe, com quem mora. “Se tiver de sustentar família é muito difícil porque o preconceito com ex-presidiários é muito grande. Sem conseguir emprego, a pessoa acaba caindo no crime”, diz ele que, ao informar sua condição de ex-presidiário numa empresa de Bauru, não pode deixar o currículo.
“E o preconceito também existe em ONGs. Eu comecei a trabalhar em duas delas, aqui na cidade, mas depois que contei que já tinha estado preso, fui demitido”, relata Ricardo que desde que saiu da prisão, faz “bicos”. “Dei sorte de uma amiga me convidar para auxiliar em eventos, mas já trabalhei como auxiliar de ajudante de cozinha e assim pretendo continuar trabalhando”, frisa.
Ricardo não acredita que um programa como o lançado ontem pelo governo do Estado consiga colocar um número significativo de ex-presidiários no mercado de trabalho. “Na minha opinião é necessário um incentivo para as empresas, como redução de encargos trabalhistas na contratação de ex-presidiários”, completa.