Bauru amanheceu ontem sob forte neblina. A umidade e o cinza tipicamente paulistanos resultaram em transtornos para quem dependia de transporte aéreo para atender compromissos. A situação provocou revolta em alguns moradores da cidade, indignados com a falta de instrumentos no Aeroporto Moussa Tobias (Bauru-Arealva). Porém, mesmo que os equipamentos estivessem instalados, talvez a situação fosse a mesma, informaram profissionais da área.
Mas no Aeroclube, situado na zona sul da cidade, os aviões capazes de voar com instrumentos operaram ontem pela manhã. Já os que não dispunham de equipamentos, nem decolaram. Neste caso, as atividades foram canceladas, confirma o diretor de instrução do Aeroclube, César Perroni. De acordo com ele, o teto estava a 500 pés, ou seja, a base das nuvens estava a 150 metros de altura, sendo que a visibilidade horizontal também era restrita.
A condição do tempo foi garantia de problemas no Aeroporto Moussa Tobias. Os vôos da Passaredo Linhas Aéreas, por exemplo, foram cancelados pela manhã. Eles partiriam de Bauru rumo a São Paulo às 6h40 e 9h50. A aeronave que chegaria às 9h30 seguiu para Marília. De lá, os passageiros seguiram via terrestre.
“Não tinha teto, nem com instrumentos seria possível. Teria acontecido mesmo se tivesse aparelho. O teto estava colado. É algo inesperado que acontece inclusive em outros aeroportos, como no de Guarulhos, no Galeão”, informa Antonio Antunes, gerente da Pantanal em Bauru. Ele explica que a aeronave da Pantanal que havia chegado de Marília e deveria pousar em Bauru às 6h40 de ontem foi embora porque não havia condições de aterrissagem.
O segundo vôo do dia previsto para chegar às 9h em Bauru pousou em Araçatuba. Só chegou em Bauru às 13h30. O das 14h chegou com atraso de 40 minutos. No final da tarde, a situação havia se normalizado.
“Hoje (ontem) pela manhã ficamos todos embasbacados com a falta de instrumentos para vôo no ‘aeropasto de Bauru’. Já não basta ter apenas duas companhias aéreas que oferecem poucos vôos, ainda não possuímos o mínimo de estrutura para que possam pousar e decolar”, queixa-se Marcelo Castro Magalhães, auditor de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança. Ele conta ter sofrido prejuízos morais e materiais em virtude da precariedade da aeroporto, que o levou a remarcar compromissos e, inclusive, a perder outros.
“Sou bauruense, gosto da minha cidade, mas não podemos deixar uma situação dessa se prolongar, seja lá quem for o responsável”, diz. O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) reiterou que investiu neste ano R$ 687 mil na instalação de equipamentos de auxílio à navegação e que já solicitou à Associação Nacional de Telecomunicações (Anatel) a licença para funcionamento do rádio farol (NDB) e freqüência do rádio VHF.
Após a obtenção desta licença, será solicitado ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo a vistoria e homologação dos equipamentos. O Daesp também está publicando edital para contratação de empresa para prestação de serviços de telecomunicação e trafego aéreo.
Conforme divulgado pelo JC, está marcado para esta quinta-feira o leilão de parte dos slots (espaços de pouso e decolagem) da Pantanal em Congonhas. Segundo a Anac, a rota Bauru-Congonhas é a sexta mais rentável do País.
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Nebulosidade
A neblina observada ontem pelos bauruenses que estavam nas ruas logo cedo poderá ser percebida novamente hoje. Ela é fruto de uma zona de convergência de umidade instalada nas regiões Centro Oeste e Sudeste do Brasil. Trata-se de um fenômeno mais comum no inverno, mas que também pode ocorrer na primavera, informa a meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, Rita Cerqueira Lopes. Até quinta-feira, a previsão é de muitas nuvens e pequenos períodos de sol. Hoje, a máxima prevista é de 29 graus.