Mesmo com a crise econômica mundial que afetou a segurança de investidores, o setor da construção civil nacional cresceu 1% em 2009. E a expectativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) é que a evolução do setor em 2010 seja de 8,8% em todo País. Para Renato Parreira, diretor regional da entidade, Bauru e região devem repetir as projeções nacionais. Ele avalia, no entanto, que a cidade deve enfrentar alguns desafios, como definir a destinação correta de entulhos e otimizar a aprovação de novos empreendimentos.
Os números foram apresentados ontem durante o “2.º Encontro Regional do Empresariado da Construção Civil”, realizado em Bauru. O evento contou com a presença de 30 empresas e entidades ligadas à construção da cidade e região.
Parreira destaca que 2008 foi um dos melhores anos para o setor, com o registro de 10% de crescimento. “A crise trouxe muita insegurança. Mas a construção civil continuou aquecida, pois possui uma cadeia mais longa. Além disso, houve a migração de pessoas que investiam na Bolsa e passaram a aplicar no mercado imobiliário”, observa.
Por isso, Parreira avalia que mesmo com a crise econômica e uma natural retração da economia, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresceu 1% em 2009. “Além disso, em todo País, de janeiro a setembro deste ano, houve aumento de 8% nos postos de trabalho. É o mesmo índice registrado em 2008, quando o crescimento do setor de construção civil foi de 10%”, compara.
O otimismo será mantido em 2010. De acordo com o diretor, projeção da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que o setor deve crescer 8,8% no ano que vem e gerar 8% a mais de empregos formais. “Bauru deve seguir essa expansão”, avalia Parreira.
Muito desse crescimento será devido à evolução de programas como o “Minha casa, minha vida”, do governo federal. Mas, segundo o diretor, não há concentração de investimentos. “Na verdade, está pulverizado. Há um crescimento sustentado”, pondera. Em Bauru, Parreira destaca que o programa de moradias amadureceu. “Segundo a Caixa Econômica Federal, há 3 mil processos para financiamento em análise”, observa.
Entulho
Porém, mesmo com projeções favoráveis para o próximo ano, Parreira destaca que o setor deve enfrentar alguns desafios. A destinação correta de entulhos gerados pela construção civil é o principal. “Não há política pública sobre isso. Não há um local adequado licenciado na cidade para receber esse volume”, informa.
O diretor explica que a conseqüência dessa falta de legislação sobre o assunto pode ser o encarecimento do valor final de uma obra. “Segundo a lei, a responsabilidade pelo descarte do entulho é de quem o produziu. Então, se você tiver que se deslocar para despejar isso, o valor certamente será cobrado no preço final”, observa.
Para ele, a prefeitura e o setor privado devem buscar uma solução em conjunto para o problema. “Talvez até com a instalação de uma usina para reciclagem de entulho”, pondera. Para discutir alguma saída para o obstáculo, o SindusCon deverá promover um seminário sobre o assunto no ano que vem.
Outro desafio elencado por Parreira é aumentar a velocidade na aprovação de projetos na Secretaria Municipal de planejamento (Seplan). “Temos que agilizar esse processo, buscar alternativas, como atendimento diferenciado para empresas de grande porte”, avalia.