09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: A pesca e o pescador


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Certo dia fomos a um pesque-solte lá em Glicério (SP), onde os peixes têm tamanhos avantajados, mas neste dia/tarde/noite os peixes não estavam nem aí para as iscas, mas mesmo assim pegamos uns piauçus – poucos, tá certo. E como era um dia normal, terça-feira, no pesqueiro só estávamos em duas turmas, a nossa, composta do Du e o Beiço, e a outra turma, que eram os concorrentes.

De início nós vigiávamos as varas de espera do concorrente, que era um número bastante expressivo: 17 varas para quatro pescadores e as quatro varas nossas. Ficávamos como felinos observando, mas pouco se movimentavam. Mesmo assim, de quando em quando, um concorrente atravessava para nosso lado da lagoa pesquisando o movimento e, incitando a disputa, dizia: “- Até agora só pegamos uns cinco piauçus, dois pacus, uma pirarara etc., etc.”.

E o Du, como bom pescador, falava e olhava para o Beiço e dizia em bom tom de voz: “- Tá ruim, pois até agora só pegamos o dobro que vocês, coisa que nunca acontece conosco”. E às vezes contava um pouco da pesca anterior, que havia pego um monte de peixes e o concorrente saía e ia conversar com seus colegas.

E nós ficávamos sorrindo e achando que os outros tinham acreditado e eles da mesma forma, pensando o mesmo de nós. E fomos tocando a pescaria, trocando de lugar, de isca, de posição, de linha, de anzol, de altura da chumbada, mas por obra do destino ou milagre, lá pelas 6h30 do dia seguinte, uma de nossas varas foi acionada e cantou bonito.

E lá foi o Du pra dentro d’água e o Beiço pegou o barco a remo e tome puxão do pirarucu. E como nunca havíamos fisgado um peixe desse porte, ficamos eufóricos: e solte linha e prende a fricção. Com o barco acompanhamos troca de lado, troca de mão, troca de pescador e o peixe mal se cansava até que ele resolveu passar perto dos concorrentes e mostrar o seu dorso, aí foi a glória.

Mesmo sem muito fôlego, eu gritei para o Beiço: “- Esse é o terceiro ou quarto pirarucu que pegamos hoje”. E tome mais puxões do pirarucu e parecia que estávamos sendo puxados pelo peixe, e na hora de tirar o peixe d’água, o Du disse para o Beiço: “- Pule na água e abrace o peixe”. Mas nós estávamos impressionados com o tamanho e receosos, até que o Beiço agarrou firme e eu pulei na água e agarrei também o bicho, que é liso. Aí nós dois ficamos derrapando no barro e na grama até que tiramos, aí foi só alegria para fotos, 60 quilos de felicidade. Quem não acreditar vide foto acima.

Eduardo Bush Cameshi, o Du, e Fernando Henrique Gomes Cornélio, o Beiço, são pescadores e contadores de histórias.