“Preferia que não tivesse asfalto”. O desabafo é de Renato Teixeira, 45 anos, morador da rua Santo Garcia, localizada na Pousada da Esperança 2, em Bauru. Devido às chuvas das últimas semanas, ele chegou a abrir buracos no muro de sua casa para escoar a água que, sem ter para onde ir, invadiu a residência. A via é uma das 25 privilegiadas que receberam asfalto recentemente no município. Porém, nenhuma galeria para escoamento de águas pluviais foi construída no local, ou transversais. Em outro canto da cidade, o esquecido Distrito de Tibiriçá sofre com a retirada de telhas do velho Centro Rural pela Secretaria Municipal de Agricultura (Sagra).
Assim como no Distrito, na Pousada os moradores estão revoltados com a ocorrência exatamente na temporada de chuvas. “Vi meus sapatos boiarem. Os móveis ficaram empenados e tive prejuízos. Antes, quando não tinha asfalto, a terra absorvia a água. Quando chove, a rua vira uma piscina e entra tudo nas casas. Agora, como se faz asfalto sem galeria?”, questiona Teixeira, que também colocou tábuas nas portas de casa para se precaver da provável invasão das águas.
Para tentar minimizar o problema, a Secretaria Municipal de Obras fez uma barricada de terra no local na tentativa de conter o fluxo que vem da rua Pedro de Castro Pereira. Entretanto, os moradores estão indignados com a situação. “As casas são afetadas pelo volume de água que vem de outros lugares para a rua quando chove. Não tem para onde escoar a água. Faltou fazer galeria. Na minha opinião, faltou planejamento da prefeitura”, diz o fotógrafo Joel Inácio, 36 anos, que mora na mesma rua.
No início do ano, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) anunciou a primeira fase do plano de pavimentação do governo, com promessa de acabar com 500 quadras de terra e recapear 300 ruas com asfalto vencido. Há poucas semanas de encerrar seu primeiro ano, a administração municipal não conseguiu executar nem uma pequena fatia da meta e, agora, a precipitação que não dá trégua colabora ainda mais para piorar o desempenho.
Conforme revelou o JC ontem, até o momento das 161 quadras de asfalto licitadas em 22 bairros de Bauru, 25 foram executadas na Pousada da Esperança por funcionários da empresa H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda, que venceu a licitação. Entre elas, está a Santo Garcia.
Segundo o titular da pasta, Eliseu Areco, quando as 25 quadras foram concebidas, não havia necessidade que fossem construídas galerias. “Não era para agora a galeria, como surgiu esse problema, vamos colocar como prioridade. Não conseguimos mensurar isso (a necessidade de galerias) quando as obras foram feitas. Agora vamos ter que fazer uma outra ação para resolver isso. Fizemos uma barreira para conter a água. Quando melhorar um pouco o tempo, vamos tomar uma solução um pouco mais definitiva. Não vou deixar aquela terra lá (barricada), mas não dá para mexer agora. Além disso, a água não está entrando nas casas porque estamos monitorando”, comenta, admitindo o erro de avaliação no projeto e autorização da obra.
Os moradores terão de conviver com o problema pelo menos até janeiro de 2010, quando a secretaria irá iniciar a construção de galerias nas ruas adjacentes às que receberam asfalto para diminuir o fluxo de águas pluviais.
“As casas foram feitas abaixo do nível da rua. Os moradores dizem que há 20 anos atrás quando foi feito o bairro existia a guia e ficava a 1,2 metros abaixo do nível que já tem hoje, mas não dá para a gente saber. A outra via, que está jogando água na Santo Garcia, é que vai ter galeria. Nós vamos fazer um sistema de galeria que capta essa água, desvia e não entra mais nessa rua. É a prefeitura que vai fazer”, complementa o secretário.
Tibiriça
Mas não é só com a pasta de Obras que moradores estão insatisfeitos. A reclamação também vale para o titular da Sagra, Zito Garcia. O mau tempo também castiga a reforma do Centro Rural do Distrito de Tibiriça. Tida como prioridade no início da administração municipal, há apenas dois meses o local teve suas obras iniciadas e agora precisa contar com a estiagem para a continuidade.
O problema é que o planejamento foi mal feito, principalmente no telhado, que está descoberto. “Nós começamos isso há uns dois meses porque a gente dependia de recurso. No primeiro semestre, tivemos que fazer a reformulação da pasta. Além disso, tivemos chuva quase o ano todo. O madeiramento terminamos na semana passada. Agora falta jogar as telhas, que nós temos um pouco atrapalhado por causa do tempo. Esperamos terminar isso até o dia 22. Na semana que vem, estamos jogando telha. Até o Natal gostaria de estar coberto”, afirma o secretário municipal de Agricultura, Zito Garcia.
Até o Natal, quem sabe, os moradores do Distrito verão as novas telhas concluindo o que já deveria estar terminado.