09 de julho de 2026
Regional

Reunião do BFC vira caso de polícia

Marina Belei especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A reunião para discutir o pagamento dos salários atrasados das jogadoras do Botucatu Futebol Clube (BFC) entre prefeitura e dirigentes da equipe terminou em confusão na tarde de terça-feira no auditório Cyro Pires. Ontem houve o registro de dois boletins de ocorrência de agressão na delegacia com acusação contra o dirigente da equipe.

O objetivo da reunião era discutir uma solução para o impasse financeiro entre o BFC e as atletas. Elas estavam sem receber salários há quatro meses. O problema é que a prefeitura não pode repassar dinheiro para o clube, porque o Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou os repasses ao analisar a prestação de contas de 2007. O clube tem que devolver R$ 240 mil aos cofres públicos.

Em nota à imprensa, a prefeitura de Botucatu informou que a audiência teria sido suspensa depois de desentendimento entre o presidente do BFC, Ademir Florian, e uma das jogadoras. Na confusão até a mesa de reunião chegou a ser virada e teve dedo em riste em direção ao prefeito João Cury (PSDB) e secretário municipal de Esportes e Lazer, Antônio Carlos Pereira, e agressões.

No entanto, relato das jogadoras e do próprio presidente do clube apontam que a confusão começou depois de o prefeito ter cancelado a audiência, já que a falta de entendimento entre diretoria e atletas era grande. A preparadora física do time, Carol Piral, registrou boletim de ocorrência de lesão corporal minutos após o término da reunião. Ela conta que o presidente teria se exaltado com algumas perguntas das jogadoras e com a decisão de encerrar a reunião, Florian teria ido para cima do prefeito. “Entramos para impedir a agressão. Fui segurada pelo braço e levei socos. Registrei a ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher, fiz exame de corpo de delito e tocarei o processo até as últimas consequências”, disse. A jogadora Érica, que também teria sido agredida com soco, tomou as mesmas providências. Ela teria R$ 9 mil de salários atrasados não recebidos.

Para a jogadora Bajé, o incidente é motivo de vergonha para o futebol feminino. “É constrangedor para o futebol feminino brasileiro um fato como este. Nos sentimos envergonhadas, mesmo sabendo que a confusão não foi provocada pelas atletas”, disse.

Até o fim da tarde de ontem o presidente do BFC, Ademir Florian, não havia registrado boletim de ocorrência. Ele disse que também tinha marcas de agressão pelo corpo, mas esperava a orientação do advogado sobre o registro ou não do fato na polícia. Segundo ele, a exaltação de ânimos foi após as jogadoras o insultarem e não o deixarem falar. “Quando me foi dada a palavra, elas me interrompiam, então o prefeito cancelou a audiência. Fiquei sem o direito de resposta e fui indo em sua direção. Nessa hora, as jogadoras entraram e passaram a me agredir”, disse o dirigente. Ele também teria sido agredido por uma das atletas. O time foi vice-campeão da Copa Brasil e foi derrotado na final para o Santos, da jogadora Marta.

O prefeito de Botucatu informou ontem por meio da assessoria de imprensa que não pretende procurar a polícia devido a confusão. Ele diz que teria entendido que o presidente agiu daquela maneira por estar sobre forte pressão.

Cury está tentantdo incorporação do Botucatu Futebol Clube pelo Sesi. Reuniões para discutir o assunto já foram realizadas na cidade. A possibilidade ainda é cogitada, já que município está proibido de repassar verbas ao time devido à rejeição das contas de 2007 pelo TCE.