09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O zagueiro Xandu...


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Armando Padroni (Xandu), nascido em Avaí no dia 10 de dezembro de 1919, passou sua infância e juventude em Jaú, participando do futebol jauense desde 1930 e iniciado sua carreira no infantil da A. A. Palmeiras. Em seus últimos jogos pelo amador dessa equipe, formava o trio final com Amélio e Paulo. Passou a jogar em Birigui, pelo Bandeirantes E. C., na mesma época em que Amélio transferia-se para o Noroeste, em julho de 1942. Em Birigui, foi formado outro trio conhecido na região: Jaú, Xandu e Guedes. Depois de três meses em Birigui, Xandu aceitou o convite para atuar na equipe de “Alfredo de Castilho”. Outro trio final famoso e vencedor: Amélio, Xandu e Irineu Pé de Boi! Seu primeiro jogo com a camisa alvirrubra aconteceu no dia 18 de outubro de 1942: EC Noroeste 6 x A. A. Sorocabana 3. O adversário era de São Paulo.

Xandu contava com 23 anos. Comentário da imprensa bauruense sobre sua estréia: “Xandu e Irineu Pé-de-Boi, uma bequeira respeitável”. Uma recordação: Cirilo (pai de Cirilinho, Roberto e João Bidu) assinalou quatro tentos! Os outros dois foram feitos por Lamônica e Adolfrizes. Xandu era portador de um futebol clássico e técnico, não era de “correria” em campo, mas sim calmo e desarmador de ataques. Pode ser até que ele tenha “apelado” algumas vezes, porém eu, assistindo aos jogos do Noroeste (Luzitana – Bac muitas vezes) de 1945 a 1953, nunca vi Xandu dar um pontapé em nenhum adversário ou agir deslealmente contra um companheiro de profissão. Sua carreira no Noroeste foi repleta de sucesso, sendo titular absoluto no período de outubro de 1942 a dezembro de 1951!

Infelizmente, em 12 de março de 1952 teve de passar por intervenção cirúrgica num de seus joelhos, no hospital Santa Catarina, em São Paulo. Contusão grave! A partir daí sua carreira sofreu alteração, com problemas de agilidade e desempenho em campo. Xandu esforçava-se ao máximo em sua recuperação, mas sempre sentindo os reflexos da contusão. No período de 1952/ 1953 atuou no time principal apenas em 17 amistosos. Era anunciado pela imprensa: “Xandu está apto a retornar”, mas aí já era suplente de Zulu, Pelota, Louro e Vila. Fez parte do elenco noroestino em 1953 quando o time alcançou o seu primeiro acesso, porém não atuou em partidas oficiais de campeonatos (“Série Verde” e “Torneio dos Campeões”).

Treinava e se concentrava normalmente.

O campeonato interiorano de 1943, em sua decisão em novembro em pleno Pacaembu, contra o Guarani, foi o que lhe trouxe a maior emoção em toda a sua carreira. De 1942 a 1953 obteve os seguintes títulos: campeão bauruense (2) campeão interiorano (1), campeão intermunicipal (2), campeão da 2ª Divisão Profissional (acesso) e do torneio dos Campeões.

Foi vice-campeão bauruense (2), estadual e inter regional. Depois do “Torneio dos Campeões”, referente ao ano de 1953, e findado em 30 de maio de 1954, o Noroeste rescindiu os contratos de Xandu, Adolfrizes, Chocolate (fim da equipe de 1943!), Pelota, Brandãozinho, dito Bola, Paulinho, Wilton, Mirtola e Julinho Paixão. Xandu, aos 34 anos, foi convidado para atuar no Bauru A.C. (BAC), participando de amistosos e partidas de 1º Turno do Campeonato de Profissionais da Segunda Divisão (Série Anchieta) até janeiro de 1954. Encerrou a carreira em Bauru, sendo substituído pelo zagueiro Bissoli.

Em 1956 (último de sua carreira) estava atuando no Duartina FC, sendo campeão de Série “C”. O time de Duartina era formado por elementos bauruenses (Paulo Roberto, Paulão, Zuluzinho, Julinho Paixão, Adolfrizes e o próprio Xandu) e duartinenses (Zanata, Lozano, Dedé, Mocho, Aderaldo, Hélio, Fernando, Waldemar, Pedrinho, Chiquinho, Mauro e Waldir). Funcionário do escritório da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil no período de 10 de maio de 1943 a 31 de dezembro de 1977, sob matrícula nº 9267 (agradecimento ao amigo Vivaldo Pitta pela informação), aposentando-se por tempo de serviço. Xandu contava com 58 anos na época.

Agora um dado estatístico de um arquivo “suado” pela busca de números: Xandu, o senhor Armando Padroni (completando 90 anos no próximo dia 10), foi o atleta que mais vestiu a gloriosa camisa alvirrubra em toda a sua história de futuros cem anos: 341 atuações entre partidas amistosas e oficiais de campeonatos. E outra característica do clássico Xandu: assinalou 23 tentos em cobranças de faltas e pênaltis.

O número de atuações poderia ser maior, pois até o dia 21 de abril de 1949 (data oficial da inauguração da luz artificial do estádio “Alfredo de Castilho” da Rua Quintino: E. C. Noroeste 2 x S.C. Corinthians 4), que tive a satisfação em assistir, os jogos eram realizados somente aos domingos e feriados, o que diminuía sensivelmente o total de jogos (média anual de 35/40). A sua contusão em 52/53 também contribuiu para um número menor.

Dois outros elementos superaram a marca de 300 jogos: Paulo Romualdo e Gaspar Berrance Filho, assunto a ser abordado nos próximos dias. Xandu: que você seja protegido e abençoado pelo Pai Celestial em sua luta pela vida!

Fausto Gamba Gonçalves