08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ENEM


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A notícia veiculada nesta segunda-feira pela mídia de que a abstenção do Enem foi de 39,5% não é assustadora. Desde o vazamento da primeira prova, o nível de irresponsabilidade, amadorismo e trapalhada continuou. Neste sábado e domingo, viu-se candidatos entrarem com 15 minutos de atraso, divulgação de gabaritos errados e uma prova mais difícil do que esperado para o exame, com questões confusas e enormes fazendo com que os estudantes quase que em totalidade chutasse muitas questões, devido à falta de tempo. A promessa da abolição de fórmulas e conteúdo contextualizado passou longe em algumas partes do exame. E o objetivo principal, de medir o conhecimento do enino médio, também se mostrou falho. Até porque o exame, em grande parte, era de resistência física, psicológica e contra o relógio. Para instrumento de avaliação do ensino não são necessárias questões enormes e confusas.

Poucas questões bem boladas mostram quem sabe ou não. Por tudo isso, os 40% de abstenção (faço parte de índice) não são um espanto. O exame perdeu sua credibilidade e importância, chegando ao ponto de realizarem peças publicitárias “chamando” o aluno para fazer a prova. O Enem se renova ou corre o risco de ficar igual ao Enade, debochado por muitos estudantes, ou, quem sabe, um boicote por parte dos alunos viria bem a calhar, escancarando a mediocridade do Ensino Brasileiro, que nunca se modificará apenas por causa de uma prova mal dosada.

Otávio Cesar Frabetti - estudante - Jaú