10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“Volta por cima” do futebol carioca


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A temporada de 2009 do futebol brasileiro termina com sucesso e uma feliz constatação: os clubes do Rio de Janeiro estão readquirindo a condição de protagonistas dos nossos principais campeonatos. E já não era sem tempo! O nosso futebol ressente demais da ausência das grandes participações de Vasco, Fluminense, Botafogo e Flamengo, que costumam agigantar as competições e proporcionar grandes festas de público.

A redenção carioca começou com o acesso do Vasco para a série A, o que já era mais que previsto. Não foi só o título, porém. O clube se reformulou. Passou por um processo de redemocratização, no final do ano passado, que culminou com a eleição do grande ídolo vascaíno Roberto Dinamite para presidente. Desde então o clube tem conseguido novos contratos que têm possibilitado um novo e auspicioso recomeço. A sua torcida respondeu nas arquibancadas. Abraçou o time e a diretoria e quebrou recordes de público na série B.

O Fluminense renasceu na reta final do brasileiro após uma queda que parecia infindável. Desde a perda da final da Libertadores de 2008 o time foi do “quase céu” para o “quase inferno” em pouco mais de quinze meses. Já naquele ano lutou contra o rebaixamento no campeonato brasileiro terminando na décima quarta posição e este ano foi ainda mais dramático. Precisou de uma série de onze jogos invicto (sete vitórias e quatro empates) para se livrar na última rodada do descenso à série B. A chegada do técnico Cuca aliada ao retorno do jogador Fred, de um longo período de contusão, foram os maiores trunfos para a reviravolta da campanha do tricolor das laranjeiras. Além disso, há de se destacar a lua de mel entre time e torcida que foi crucial para a permanência do “Flu” na série A. Os tricolores deram show nos últimos jogos no Maracanã, enchendo o estádio e empurrando o time. Ainda de quebra a equipe quase conseguiu a conquista da Copa Sulamericana.

O Botafogo também se safou do rebaixamento na última rodada. Evitar a queda foi um consolo para o clube que vem passando por um longo período de escassez de títulos, mas que tem adotado uma política consciente de “pés no chão” para se reabilitar de forma equilibrada e definitiva. A queda da série A, a essa altura, seria um retrocesso nessa etapa de revitalização por que passa o Botafogo.

Mas nem uma equipe brasileira foi tão vitoriosa no ano de 2009 como o Flamengo. O clube voltou a conquistar o principal campeonato nacional após dezessete anos de carência. O rubro-negro vinha fazendo um campeonato discreto no brasileirão até a chegada do treinador Andrade. Ex-jogador, quatro vezes campeão nacional pelo “mengão”, ídolo com a simplicidade admirada pelo torcedor, o técnico assumiu interinamente na décima quarta rodada, quando o time estava na décima primeira posição, e liderou a arrancada flamenguista para a conquista da taça. Andrade teve como um de seus grandes méritos a confiança no jogador Petkovic. Dado para muitos como acabado para o futebol, o sérvio “Pet”, de trinta e sete anos, deu a volta por cima sendo o grande destaque do time ao lado de Adriano. Este também teve um ano de redenção após problemas pessoais, que acabaram se refletindo em seu rendimento dentro de campo. O “Imperador”, como é chamado pela torcida rubro-negra, veio da Europa buscando reencontrar seu futebol desaparecido e não poderia ter se saído melhor. Foi o artilheiro do campeonato brasileiro com dezenove gols, ao lado de Diego Tardelli do Atlético Mineiro. Não poderia deixar de ser ressaltada a participação do torcedor rubro-negro. Com a maior média de público, o que não é nenhuma novidade, ela foi de suma importância na campanha avassaladora do título.

Para a felicidade do futebol brasileiro os grandes clubes do Rio de Janeiro estão voltando a protagonizar os principais campeonatos nacionais e obtendo êxitos. Este final de ano demonstrou forte indício de sólida recuperação e pode representar um marco histórico da reviravolta desses gigantes da cidade maravilhosa. O futebol nacional se engrandece, além de ser mais belo e vibrante com a participação assídua dessas quatro forças futebolísticas. E esse sucesso não pode ser esporádico para a alegria dos finais de semana. Que o futebol paulista, com mais recurso e estrutura na atual conjuntura esportiva nacional, possa copiar o exemplo da grande festa que é proporcionada pelo público nos estádios do Rio de Janeiro.

José Mário Boneto Pereira