Brasília - O confronto entre a Polícia Militar (PM) e os manifestantes - que realizaram passeata ontem em Brasília pedindo a renúncia do governador José Roberto Arruda (DEM) - terminou com três prisões e ao menos oito feridos. A PM concedeu entrevista coletiva e confirmou que dez pessoas foram detidas e três presas. Eles foram conduzidos para a 5.ª Delegacia de Polícia sob acusação de desacato, mas já teriam sido liberadas. A Polícia Militar disse que não houve registro de nenhuma entrada nos hospitais próximos da área de conflito e por isso não identificou nenhum ferido. O Corpo de Bombeiros, no entanto, confirma que pelo menos oito pessoas foram atendidas por causa da ação da Polícia Militar. Todos teriam sofrido lesões leves.
A PM usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás de pimenta para dispersar os mais de 2 mil manifestantes que protestavam em frente ao Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal (GDF) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF).
A PM partiu para o enfrentamento depois que parte do grupo tentou interditar as duas pistas de acesso aos prédios públicos. Os manifestantes insistiram em ocupar as faixas de trânsito e a cavalaria da PM entrou em ação usando cassetetes. Pelo menos, 400 homens da PM participaram da operação.
Arruda não sai do telefone. Preocupado com o julgamento de sua eventual expulsão do partido, ele vem fazendo dois pedidos aos colegas da executiva nacional que analisará seu caso na sexta-feira: pede que seja absolvido e que o voto seja secreto.
O regimento prevê o voto fechado, mas diversas lideranças democratas já se mobilizam para reverter essa dinâmica. Arruda é suspeito de comandar um esquema de corrupção, já conhecido como mensalão do DEM, e vem perdendo apoio político a cada dia.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), um dos maiores defensores da expulsão do colega por julgar que as acusações mancham a imagem da legenda, apresentará na sexta um requerimento pedindo o voto aberto.