09 de julho de 2026
Nacional

Infarto mata Jamil Haddad aos 83

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Prefeito do Rio, senador, ministro da Saúde, o médico e presidente de honra do PSB, Jamil Haddad, morreu ontem de madrugada em sua casa na Tijuca (zona norte). Ele sofreu um infarto. Tinha 83 anos.

Em nota, o presidente Lula classificou Haddad como um exemplo de “coerência” e lembrou que foi ele o introdutor no país dos medicamentos genéricos - uma das bandeiras do governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, que, quando ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, impulsionou a produção e a venda desses remédios no País. “Sempre colocou a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos dos trabalhadores e dos interesses do nosso país em primeiro plano”, afirmou Lula.

Ainda segundo a nota do presidente, Haddad teve “atuação destacada contra a ditadura militar”. “Teve os direitos políticos cassados durante dez anos e voltou com a mesma disposição de trabalhar pelo país e pelo seu povo. Como ministro da Saúde, assinou o decreto dos genéricos, que até hoje salva muitas vidas devido à ampliação do acesso aos medicamentos.”

A ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, considerou a morte de Haddad “uma perda inestimável”. “Foi um dos grandes defensores das políticas de inclusão social e um ardoroso defensor do SUS, construindo a política dos medicamentos genéricos.”

O vice-presidente José Alencar também enalteceu o ex-ministro, “um grande cidadão brasileiro, exemplo de comportamento, um homem de bem”.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), decretou luto de três dias no Estado. Eduardo Campos, presidente do PSB e governador de Pernambuco, definiu Haddad como um “político corajoso” que implantou os genéricos, combatendo a grande indústria farmacêutica.

O corpo do ex-ministro foi enterrado no Cemitério São João Batista, na zona sul. Ele deixou a viúva Aída Gomes Haddad. O casal não teve filhos.

Haddad ingressou na política em 1962, quando se elegeu deputado estadual pela Guanabara, pelo PSB. Em 1966, foi reeleito pelo MDB, mas não completou o mandato, pois, em 1969, teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Haddad chegou a ser preso no Rio.

O reingresso na política se deu em 1979, com a criação do PDT por Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul, de volta ao Brasil após o exílio.

Ao vencer em 1982 a eleição para o governo do Estado do Rio, o líder pedetista indicou Haddad para o cargo de prefeito do Rio, que exerceu de março a dezembro de 1983. Naquela época não havia eleição direta para a prefeitura das capitais.

Em 1985, Haddad assumiu uma vaga no Senado, já filiado ao PSB, que presidiu de 1986 a 1993. Em 1990, elegeu-se deputado federal. Dois anos depois, Itamar Franco o nomeou para o Ministério da Saúde. Em 1998 elegeu-se para a Assembleia Legislativa do Rio. Em 2003, no primeiro governo Lula, dirigiu o Instituto Nacional do Câncer.