08 de julho de 2026
Nacional

Novo protesto pede saída de Arruda

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Manifestantes saíram novamente às ruas de Brasília para protestar contra a permanência do governador José Roberto Arruda (sem partido), suspeito de comandar um suposto esquema de pagamento regular de propina para secretários, assessores e deputados de sua base aliada na Câmara Legislativa.

Cerca de 300 carros iniciaram no final da manhã de ontem uma carreata pedindo a saída de Arruda - que anteontem se desfiliou do DEM -, do vice-governador Paulo Octávio e dos parlamentares envolvidos no caso.

Organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e por partidos de oposição ao governo Arruda, entre eles PT, PCB e PSOL, a carreata percorreu cerca de 50 quilômetros. Os veículos saíram do centro de Brasília e passarão por cidades satélites do Distrito Federal até chegarem à residência oficial do governo, em Águas Claras.

“É mais uma manifestação contra a corrupção e pela moralização. Exigimos o afastamento imediato do governador e de todos os envolvidos”, afirmou o presidente do PT local, Chico Vigilante.

O líder petista acredita que o pedido de desfiliação de Arruda do DEM não enfraquece os processos de impeachment do governador já protocolados na Câmara Legislativa.

“Foi uma manobra, mas a desfiliação não altera os ânimos. Estão tentando preservar a figura do Paulo Octávio, mas eles são irmãos siameses. Todos os envolvidos têm que ser afastados”, disse Vigilante.

A carreata foi acompanhada por dois trios elétricos, ao som de jingles como “Arruda, cadê você? O povo quer te prender’’.

O ato terminou com a lavagem do portão de entrada da residência oficial de Águas Claras. Com baldes e vassouras em punho, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra Arruda, enquanto um carro pipa lançava jatos de água na frente do portão. De acordo com os organizadores, a Polícia Militar foi avisada sobre a manifestação e acompanhou o trajeto da carreata. Apesar do forte policiamento em volta do imóvel, não houve confronto. Dois dias antes, a Polícia Militar mobilizou mais de mil homens, inclusive a tropa de choque e a cavalaria, numa repressão que deixou nove feridos. Manifestações cada vez mais ruidosas têm sido realizadas em Brasília desde o fim de novembro, após a Operação Pandora, que desmantelou o chamado mensalão do DEM.