Paris - Investigadores não conseguiram estabelecer o que provocou a queda de um avião da Air France em junho sobre o oceano Atlântico, mas as buscas pelos registros de vôo serão retomadas em fevereiro, disse o chefe da autoridade francesa que investiga o acidente aéreo.
“Continuamos sem poder determinar as causas e circunstâncias do acidente”, disse Jean-Paul Troadec, chefe da autoridade de investigação de acidentes da França (BEA, na sigla em francês) à rádio francesa ontem.
O vôo AF 447, que seguia do Rio de Janeiro para Paris, caiu no Atlântico depois de decolar dia 31 de maio. O avião entrou em uma zona de turbulência, matando 228 pessoas. As caixas-pretas com os registros de vôo continuam desaparecidas, e apenas pequenas partes dos destroços do Airbus A330 foram encontradas.
A autoridade francesa deve divulgar um relatório na quinta-feira, que vai recomendar maneiras para ajudar a localizar as caixas-pretas mais facilmente, disseram fontes próximas ao acidente.
“Geralmente esses registros são feitos para resistirem a choques significativos”, disse Troadec. “Ainda há uma chance de que estejam em boas condições e legíveis.”
Troadec esteve no Rio de Janeiro ontem para se encontrar com familiares das vítimas. Mas ele afirmou que sem as caixas-pretas, porém, os investigadores não conseguiriam explicar totalmente o acidente. Questionado se o relatório dessa semana conteria novos elementos, respondeu: “Sim, a saber, recomendações em termos de segurança que não estavam no primeiro relatório.”
Um relatório de julho identificou problemas em lidar com a responsabilidade da aeronave entre controladores, mas dizia que ainda era cedo demais para dizer o que provocou a queda do avião. “Não espero nenhuma informação concreta nova sobre a causa da queda”, disse à Reuters uma fonte familiar à investigação.
Dados preliminares revelaram falhas dos sensores de velocidade da aeronave, conhecidos como “sondas Pitot”, que parecem ter dado leitura inconsistente e podem ter interrompido outros sistemas. Mas investigadores deixaram claro que esse seria apenas um elemento entre outros envolvidos na tragédia. Autoridades da segurança ordenaram checagens dos sensores, restringindo seu uso no avião feito pela Thales francesa.