09 de julho de 2026
Internacional

Chile tem primeira vitória da direita desde 1958; previsão é de 2º turno


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Santiago - O empresário Sebastián Piñera, 60 anos, venceu ontem o primeiro turno da eleição presidencial no Chile, levando a direita no país a sua primeira vitória nesse pleito desde 1958.

Com 12,6% das mesas apuradas, Piñera tinha 44,67% dos votos, ante 32,08% do candidato do governo, o ex-presidente Eduardo Frei (1994-1999), 67. Ambos dissidentes da coalizão oficial, o independente Marco Enríquez-Ominami, 36, alcançava 17,78%, e o comunista Jorge Arrate, 5,45%.

O resultado impõe a primeira derrota presidencial em 20 anos à Concertação, aliança de esquerda moderada que consolidou a democracia chilena pós ditadura Pinochet (1973-1990) mediante exitosa combinação de liberalismo econômico e políticas sociais.

A definição, contudo, ficará para 17 de janeiro, em segundo turno que deve unir a esquerda - dividida em três na primeira etapa - contra Piñera, homem mais rico do Chile, de patrimônio estimado em US$ 1 bilhão.

Mais que prevista, a nova votação era antecipada até pela presidente Michelle Bachelet, após votar em colégio em Las Condes, a região mais rica de Santiago. “Todos sabemos que vai haver segundo turno.’’

Em frente ao colégio, um exemplo de como Bachelet não logrou transferir sua aprovação - que beira os 80% - a Frei.

A falta de renovação interna da Concertação - expressa na candidatura de um ex-presidente - contribuiu para a divisão da esquerda na eleição, com as candidaturas dissidentes do comunista Arrate e do independente Ominami. Somada ao desgaste de 20 anos no poder, desenhou o cenário para a vitória da direita, que foi unida ao pleito.

Explica ainda o resultado o perfil transversal adotado por Piñera, que explorou a agenda liberal ao defender propostas como união civil homossexual e distribuição da pílula do dia seguinte.

A tranquilidade das eleições - com baixo registro de incidentes - denota os consensos econômicos e sociais alcançados pela sociedade chilena, expressos também na campanha, que não opôs modelos antagônicos de país.

Mas, para o segundo turno, se projetava ontem um cenário de maior confronto e polarização, com a esquerda unida em torno de temas como direitos humanos e a crítica a Piñera pela ligação entre negócios e política.

Se, na última quinta-feira, Frei aderira ao pacto da esquerda contra Piñera defendido por Arrate, ontem foi a vez de Ominami acenar com essa possibilidade. “O tempo será de acordos transparentes.’’ Os votos de Ominami - surpresa da eleição e dono do melhor desempenho de um candidato independente desde a volta da democracia - serão chave no segundo turno.

Com a esquerda unida, Piñera terá que buscar esses votos para levar a direita ao poder.