08 de julho de 2026
Bairros

Moradores protestam contra atoleiro

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de moradores da rua Sebastião Theodoro de Freitas, na Vila Garcia, realizou uma manifestação contra a Prefeitura de Bauru, ontem pela manhã. Eles aproveitaram a presença no bairro de integrantes da administração municipal e vereadores da base aliada para protestar contra as péssimas condições da via.

Por muito tempo, a rua Sebastião Theodoro de Freitas abrigou a escola municipal de ensino infantil integrado (Emeii) Félix Aparecido Costa. Embora conte com galerias pluviais, a via não é asfaltada. Em épocas de chuva (como agora), o local fica intransitável. O solo se transforma em um verdadeiro atoleiro, repleto de crateras.

Dias atrás, um caminhão da coleta de lixo ficou preso em uma dessas valas. Um morador do bairro fotografou o ocorrido - desde o instante em que o veículo caiu na erosão até o momento em que foi resgatado por um pequeno trator.

A escola deixou de funcionar no local há meses, mas os buracos permaneceram nas vias do bairro. Ontem, a reportagem teve a chance de conhecer de perto o drama vivido pelos moradores da Vila Garcia. Enquanto rumava para as proximidades da antiga Emeii, a viatura do Jornal da Cidade acabou caindo em um dos inúmeros buracos da rua Antônio José Parente. Por pouco, não ficamos presos no atoleiro.

Para nossa surpresa, a situação havia melhorado consideravelmente na Sebastião Theodoro de Freitas. Não era para menos: anteontem, máquinas da prefeitura haviam realizado uma operação de urgência para tapar as crateras existentes em frente à antiga Emeii.

A partir de agora, o espaço será ocupado por uma biblioteca ramal, com o projeto piloto Saberteca. O objetivo da prefeitura é reunir diferentes manifestações artísticas, esportivas e culturais em um mesmo espaço público. A inauguração estava marcada ontem, razão pela qual muitos moradores do bairro foram levados a crer que as obras na rua não passavam de uma espécie de maquiagem, feita para agradar as autoridades e jornalistas que estariam presentes ao evento.

Logo que amanheceu, alguns cidadãos indignados resolveram colocar cartazes com críticas à administração municipal no alambrado que cerca o terreno da ramal. Um deles se referia ao espaço recém-inaugurado como “a biblioteca da rua dos buracos”.

Porém, um pouco antes da cerimônia de inauguração começar, tiveram de retirar os cartazes do alambrado. A ordem para remoção teria partido de funcionários da biblioteca. “Nosso protesto é pacífico, não machucaria ninguém. O que machuca é ver o estado dessa rua esburacada”, disparou a dona de casa Arinda Maria da Costa Maffei, 46 anos, uma das organizadoras da manifestação.

O secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo (PSB), disse desconhecer o fato. “Pelo que sei, ninguém obrigou os moradores a remover cartazes. Somos democráticos e defendemos a liberdade de expressão”, afirmou.

Segundo ele, a instalação da biblioteca ramal é fruto de uma série de reuniões em que os moradores puderam externar suas opiniões a respeito das necessidades do bairro. “As pessoas precisam entender que o asfalto para esta rua consta no cronograma de obras prefeitura, mas não foi feito ainda por causa das chuvas dos últimos dias”, disse.

Além dos livros, a Saberteca da Vila Garcia oferecerá à população cursos de dança, aulas de capoeira e contação de histórias. Está prevista também a instalação de um posto avançado do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes).

A monitora Viviana Ribeiro da Silva, 27 anos, outra organizadora do protesto, reconhece a importância do projeto.

“Esse espaço trará muitos benefícios ao bairro, mas precisa ter continuidade. A Vila Garcia é um lugar esquecido de Bauru. Não tem sequer uma praça para as crianças brincarem. Por muito tempo esta rua esteve esburacada, mesmo quando a creche (a Emeii) funcionava aqui em frente. Ontem (anteontem), resolveram jogar terra para tentar esconder os problemas”, disse.