08 de julho de 2026
Geral

‘Ele está desconfiado’, conta a mãe

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Bruno está com 7 anos. A exemplo de milhões de outras crianças, ele ainda acredita que Papai Noel existe, mas a fantasia está por um fio. “Eu acho que ele está para descobrir”, suspeita a mãe, Fernanda Padovan. “Ele faz muitas perguntas e, além disso, tem Papai Noel em todo lugar. Ele está desconfiado”, conta.

Apesar da desconfiança do filho, Fernanda diz que, por enquanto, vai manter a fantasia viva. “O mundo está tão difícil que eu acho que vale a pena deixar as crianças sonharem um pouco”, justifica. Ela revela que até quando era grande acreditava em Papai Noel. “Parecia tão verdadeiro que eu me sentia como se estivesse vendo as renas”, lembra.

Fernanda conta que gostou tanto de ter sonhado desta forma que agora quer que o filho tenha a mesma sensação e desfrute desse sonho com a mesma intensidade. O problema disso, se é que pode ser colocado assim, é que Bruno não se contenta apenas com o presente do Papai Noel. Ele quer também receber presente dos pais verdadeiros, que não têm barba branca nem riem de forma estranha.

Na casa de Hamilton e Silvana Neves Brito, a fantasia foi um pouco além. Os filhos Moacir Neto e Leonardo, que hoje estão com 20 anos e 12 anos, respectivamente, tinham o costume de colocar cartinhas com pedidos de presente em uma bota de pano de cor vermelha com detalhes brancos e com a figura do Papai Noel.

Nem sempre eles recebiam o presente que haviam pedido, mas a prática servia para manter vivo o espírito do Natal nas crianças. Silvana conta que Leonardo, o filho mais novo, descobriu que Papai Noel não existe há pouco tempo.

Silvana diz que ele já estava desconfiado por causa das perguntas que fazia e pelas coisas que via e ouvia na TV. Um belo Natal, mais exatamente há dois anos, ele descobriu que o tal Papai Noel era o tio Nilton, disfarçado. “Depois disso, ele teve certeza que não existia”, comenta a mãe. Rolou uma certa decepção, mas nada que não fosse superado depois.

Como o outro filho, o Neto, foi a mesma coisa. Ele descobriu que o Papai Noel, na verdade, era alguém da família. Apesar dos filhos já grandes, que não compartilham mais das fantasias natalinas, a bota vermelha continua enfeitando a casa.

Silvana frisa que os presentes eram mais simbólicos, que a preocupação maior dos pais era cultivar nos filhos o verdadeiro sentido daquela data. Segundo ela, o lado comercial foi deixado em segundo plano. “Sempre falamos que o Natal não é para ganhar presentes, mas para comemorar o nascimento de Jesus”, ressalta.

Na opinião dela, a figura de Jesus deveria sobressair sobre a imagem do Papai Noel. Isso ajudaria a tornar as crianças mais carinhosas, mais humanas, a pensar mais no próximo e menos nos presentes. Segundo Silvana, as crianças estão ficando muito materialistas e isso pode torná-las insensíveis, algo que nem Jesus nem o Papai Noel gostariam.