09 de julho de 2026
Geral

‘Quando começo algo, fazem apostas que não vou terminar’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A vendedora Joyce Tavares, 20 anos, é uma colecionadora de projetos inacabados. Só para citar os mais recentes, ela conta que interrompeu e recomeçou por diversas vezes o curso de inglês. Foram três anos nessa vida, até que decidiu parar. Faltavam dois anos para concluir o curso. Pelo histórico, é precipitado afirmar que a decisão é definitiva.

Joyce fez também quatro meses de espanhol e largou o curso. Depois de passar um bom tempo estudando para passar no vestibular, ela conseguiu uma vaga no curso de enfermagem. No começo, tinha certeza que era aquilo que queria. Essa certeza durou um ano e meio. Foi o tempo que levou para descobrir que não estava satisfeita e o suficiente para abandonar mais um projeto.

Segundo a jovem, isso tem sido uma rotina em sua vida. Joyce diz que “enjoa” facilmente das coisas. Mesmo que sejam objetivos que tornarão o currículo dela mais consistente e atraente. “Eu sei que são projetos importantes para minha vida profissional e pessoal, mas, com o tempo, eu perco o entusiasmo e deixo para continuar o que estava fazendo no próximo mês ou no próximo ano. Sempre fui assim”, relata.

A vendedora revela que esse costume de ter muitos começos e nenhum fim criou uma desconfiança geral na família. Ela conta que toda vez que planeja fazer alguma coisa, iniciar um novo projeto, as pessoas mais próximas fazem apostas que ela não irá até o fim.

Para não dizer que nunca terminou um projeto que tenha se proposto a fazer, Joyce cita o curso de batismo que ela fez este ano para ser madrinha de uma criança. É que, neste caso, o curso era de apenas um dia e tinha duração de quatro horas. Diante de tantas desistências, foi uma façanha. “Esse eu consegui ir até o fim”, diz, sorrindo.