Não dá para falar de Natal e excluir a figura do Bom Velhinho. Para as crianças, ele é principal símbolo do Natal, uma espécie de personificação da troca de presentes. Alguns dizem que ele mora no Pólo Norte, outros na Lapônia. O local exato de sua residência, de fato, não faz a menor diferença, uma vez que, no imaginário dos pequenos, independente da distância, ele visita todas as casas na noite de Natal e atende a todos os desejos, mesmo os das crianças mais exigentes.
A figura do Papai Noel foi inspirada no Bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, no século 4. Nicolau ficou conhecido porque costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras.
Com algumas adaptações, feitas ao longo dos anos, a figura do Bom Velhinho ultrapassou séculos, foi associada à bondade de Cristo e hoje se mantém viva no imaginário das crianças
“O Papai Noel é aquele grande pai nutridor divino, que presenteia seus filhos com coisas que ele sabe magicamente que gostarão. A vivência universal de um pai bom e provedor é comum a todos os povos, por isso tanto sucesso. Por mais que novos modelos apareçam, ele é o mais querido nesta época do ano”, aponta a Regina Paganini Furigo, coordenadora da curso de psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) e doutora em psicologia clínica institucional pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp).
Por conta de sua fama, muitos debates cercam a figura do Bom Velhinho. Dentre eles, o principal gira em torno da preocupação dos pais sobre até que ponto incentivar esta crença. Para Furigo a questão deve ser analisada sob dois aspectos. “Por um lado, considero extremamente positivo, a criança ter alimentada sua capacidade de fantasia e imaginação. Isso é fundamental para que ela cresça saudável. Por outro lado, temos que ver o aspecto social que esta figura pode atingir. A midiatização do Papai Noel pode decepcionar aquelas crianças carentes, que esperam por este grande pai e ele não vem”, analisa.
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‘Crianças precisam de sonhos’
“Sou mãe de João Pedro Pavani Custódio, 8 anos, e de Emanuel Pavani Custódio, 3 anos, e faço questão de incentivá-los a acreditar em Papai Noel. Mesmo que minha religião desencoraje este tipo de crendice, acredito ser importante estimular os sonhos e o imaginário das crianças.
Penso que a imagem do Bom Velhinho transmite valores como caridade, amor ao próximo e esperança, além de que, com auxílio dela, consigo educar meus filhos. Sempre que eles fazem alguma coisa errada, lembro que, se continuarem, o Papai Noel não trará presentes no Natal.
Quando eu era criança minha mãe também me transmitiu essa idéia e durante muito tempo acreditei em Papai Noel. Eu esperava ansiosa para que chegasse o dia de Natal. Isso fez com que eu relacionasse esta época do ano a coisas boas. Muita gente acha triste, eu não. Acho um período mágico.
Mesmo com 8 anos, o João Pedro ainda acredita que Papai Noel existe, e quando os meninos da escola dizem o contrário, ele fica furioso. Para dar a idéia de que o Bom Velhinho é real, todos os anos alguém da família se fantasia de Papai Noel. Meus filhos ficam tão encantados que nem reconhecem a pessoa.
Quando ele tinha 3 anos, o ensinamos a colocar um pratinho com biscoito e refrigerante para o Papai Noel comer. Quando a família estava reunida ceiando, nos fundos da minha casa, ele escutou um barulho na frente e saiu correndo. Ele jurava que viu o Papai Noel dobrando as esquinas. Me lembro que a casa tinha um jardim, e que ele dizia que estava amassado porque as renas do Bom Velhinho tinham parado ali.”
Dalcimary Pavani, 38 anos, professora.
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‘Ele nunca me decepcionou’
“Acredito em Papai Noel, sim. E não sou do tipo de pessoa que se deixa levar por opiniões. Digo isso porque tenho muitas amigas que acham que ele não existe e tentam me influenciar. Ele nunca me decepcionou, portanto não tenho motivos para duvidar de sua existência.
Todos os anos minha mãe enfeita a casa toda na época de Natal. É nosso costume espalhar botinhas por todos os cômodos para que o Papai Noel traga meu presente. E tem uma botinha que é minha, ela é especial. No Natal, a deixo pendurada no segundo degrau do corrimão da escada, que fica perto de uma janela. Dentro dela, sempre deixo uma cartinha para o Papai Noel.
Esse lugar é estratégico. Colocando a botinha ali, ajudo o Papai Noel a encontrá-la, porque sei que ele sempre entra pela janela que fica ao lado. É uma pena que eu nunca tenha conseguido surpreendê-lo em minha casa, tenho o sono muito pesado e não escuto os barulhos. Sempre que acordo ele já se foi.
No dia 25, que é o dia de Natal, levanto da cama e vou direto na botinha. O Papai Noel sempre pega a cartinha que escrevi e me deixa uma outra em resposta. No ano passado ele me disse que eu merecia o presente porque tinha sido uma boa menina e que era para eu continuar assim.
Por falar em presente, ele sempre deixa o meu debaixo da árvore de Natal. Este ano eu pedi a ele um celular e um ‘Guinness Book’. Acredito que meu pedido será atendido. Estou aguardando ansiosa pela visita do Papai Noel e pela cartinha que certamente ele deixará dentro da minha botinha.”
Mellanie Navarro, 10 anos, estudante.
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‘Ele vem pela antena’
“Eu amo o Papai Noel. Todos os anos eu fico superansioso esperando ele chegar e trazer os meus presentes. Este ano, eu já encontrei com ele e pedi um boneco e um monstro da Max Steel.
Sei que o Papai Noel não tem dinheiro, mas mesmo assim ele vai dar um jeito e comprar para mim. Tem gente que fala que ele tem uma fábrica de brinquedos, mas não é verdade, ele compra na loja mesmo.
Sei que ele é um bom velhinho, que atende o pedido das crianças que se comportaram bem o ano todo. Por isso ele vai me dar o que eu pedi. Eu me comportei bem e não desobedeci os meus pais.
Ano passado, uma moça amiga do Papai Noel me ligou, avisando que ele ia deixar o presente na casa de minha avó. E, para minha surpresa, quando fui lá encontrei tudo o que eu pedi.
Este ano estou esperando que ele vá em casa. Como lá não tem chaminé, ele vai entrar pela antena. Vai ser um pouco difícil, mas o Papai Noel consegue tudo.”
Felipe de Oliveira da Silva, 5 anos.
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Valores do coração
“Montar o presépio em época de Natal é uma tradição que aprendi com o meu bisavô, quando eu ainda era criança. Todos os anos ele o colocava em uma mesa de madeira, próxima de uma escada. Me lembro que, para representar melhor o cenário que ele imaginava ser o do nascimento de Jesus, colocávamos pó de serra, grama e até fazíamos um lago com espelho.
Este mesmo presépio, que é de cerâmica branca, permanece ainda nos dias de hoje na família. Ele está conosco há cerca de 100 anos e, depois de passar por algumas gerações, chegou até minhas mãos. Há 3 anos mandei restaurá-lo porque, devido ao tempo, ele já apresentava alguns problemas como peças corroídas e descoloradas.
Acredito essa é uma forma de confirmar o advento. O presépio marca o início de um tempo de preparação e espera para receber o filho de Deus. É comum nesta época renovarmos as energias e as expectativas de um mundo melhor, com mais paz.
Desde que ganhei o presépio, faço questão de montá-lo todos os anos e já ensinei a tradição para minhas filhas. A menor delas, Beatriz Bertoncello Fontes, de 6 anos, adora o Natal. Para ela o presépio é uma atração à parte. Ela brinca com as peças, movimenta e acrescenta coisas. Isso é muito bom, ainda mais na idade dela. Penso que é uma forma que ela tem de assimilar a história do nascimento de Jesus e a importância disso para o mundo.
Manter uma tradição como esta é imprescindível. Já houve ocasiões em que eu desanimei e pensei em não montar mais, mas minhas filhas não deixaram. Foi aí que percebi que atingi meu objetivo, que era mostrar a elas que o real sentido do Natal não vem de bens materiais, mas, sim, dos sentimentos do coração.”
Cassiana Mendes Bertoncello Fontes, 44 anos, enfermeira.
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‘Dia de comemorar com a família’
“Todos os anos minha família faz questão de passar o Natal unida e fazer uma tradicional festa, regada a uma boa ceia, amigo secreto, confraternização e tudo mais que temos direito. Minha mãe tem sete filhos, e no total somos cerca de 45 pessoas. Esta é a única data do ano que conseguimos reunir toda a família, o que é uma realização para ela.
Desde que nasci é assim. Acho superimportante manter a tradição. Na data em que é comemorado o nascimento de Jesus, nada melhor do que compartilhar bons momentos com as pessoas que amamos.
O legal é que o clima característico do Natal começa bem antes da data oficial. Isso porque toda a família se une em torno da preparação da festa. Este ano, por exemplo, alugamos uma chácara, onde vamos ficar os quatro dias. Cada um fica responsável por levar uma comida para a ceia, que deve ser tradicional. Para a noite, sempre organizamos uma mesa de frios, assamos uma leitoa, fazemos um arroz, além das tradicionais aves. Já para o dia 25, os homens não abrem mão de fazer o famoso churrasco.
Outra tradição que não deixamos de lado é o amigo secreto. Dividimos em duas partes: o das crianças e o dos adultos. Vejo esta importância sob dois aspectos. O primeiro é que as crianças aprendem desde cedo a importância de se comemorar o Natal, elas já crescem com o coração preparado para entender a importância do nascimento de Jesus. O segundo é que, como não podemos dar presentes para todos da família, com o amigo secreto, além de nos divertirmos, cada um sai com uma lembrancinha.
É importante ressaltar que o Natal não deve nunca se tornar uma comemoração aleatória. Que o real sentido desta data é o nascimento de Jesus. Em nossa festa, sempre fazemos questão de fazer orações em agradecimento e refletir sobre o que podemos melhorar na nova vida que se inicia.”
Ivania Aparecida de Paula Silva, 47 anos, encarregada do setor de limpeza.
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Boas lembranças
“Para minha família, o Natal é motivo de alegria. Por isso, todos os anos, faço questão de decorar meu lar com enfeites natalinos. Nesta época, por todos os cantos da casa, é possível encontrar algo que nos remeta ao Natal. Os enfeites vão da tradicional árvore até a decoração de cômodos, como a cozinha e o lavabo.
Começo a enfeitar a casa no início de dezembro e sempre compro novos enfeites para somar aos antigos, assim o ambiente fica cada vez melhor e mais acolhedor. Aprendi isso com os meus avós e faço questão de passar para os meus filhos. Manter a tradição me traz boas lembranças.
Este ano foi um pouco diferente, perdi um ente querido e cogitei a hipótese de passar o Natal em branco. Quando conversei com minha família a respeito, meus filhos foram os primeiros a discordarem. Eles disseram que o Natal não seria o mesmo se perdêssemos essa magia. Todos aguardam ansiosos por esta data do ano e não faria sentido não comemorarmos.
Entre todos os enfeites, a árvore de Natal é o símbolo que ganha especial atenção da família. Todos os anos caprichamos muito na hora de montá-la. Geralmente, são os adultos que ficam incumbidos desta tarefa.
Ela tem quase dois metros de altura e é alvo de curiosidade por parte de toda a família. Isso acontece porque, conforme compramos os presentes, vamos colocando debaixo da árvore. Só é permitido abri-los depois da meia-noite do dia de Natal. Enquanto isso, todos ficam curiosissímos, tentando adivinhar o que tem nas caixas, qual presente é de quem, e coisas do tipo.”
Telma Cristina Martins de Siqueira Janson, 44 anos, comerciante.
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‘É como se eu nascesse novamente’
“Freqüento a Missa do Galo há 12 anos. É uma tradição que aprendi com minha família. Para mim, não há nada mais importante que ir a casa de Jesus no dia do nascimento dele, acho que é o mínimo que podemos fazer por quem deu a vida para nos salvar.
Todos os anos estou presente nesta celebração e gosto de estar lá, comemorando o aniversário de Jesus ao lado dos meus amigos. Penso que faltar da Missa do Galo é como se lembrar do aniversário de uma pessoa e não visitá-la ou ligar para cumprimentá-la.
Esta celebração tem um significado todo especial. Celebrar o nascimento dele desperta em mim um sentimento de esperança. É como se eu renascesse, sinto surgir um novo ano, cheio de oportunidades, expectativas e coisas boas.
Sei que o significado desta data foi um pouco distorcido pelo forte apelo comercial, mas não acho que o real sentido do Natal um dia vá desaparecer. Um dia um amigo me disse que a troca de presentes deve ser enxergada sob outro ângulo nesta data: como somos imagem e semelhança de Cristo, quando trocamos presentes é como se estivéssemos presenteando-o.
Acredito que o nascimento de Cristo nunca deixará de ser o real sentido do Natal, e que a tradicional Missa do Galo será eterna. Eu, por exemplo, pretendo transmiti-la aos meus filhos.”
Thiary Fogaça, 19 anos.