09 de julho de 2026
Internacional

Funeral de aiatolá vira ato antirregime

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - Milhares de pessoas acompanharam ontem o funeral do grão-aiatolá Hossein Ali Montazeri, numa maciça demonstração de influência do clérigo tido como o padrinho religioso da oposição iraniana. Realizado na cidade de Qom, no norte do país, em vários momentos o cortejo fúnebre transformou-se em mais um protesto contra o governo. O não evitou os distúrbios.

Segundo testemunhos divulgados na Internet, driblando a censura oficial, o funeral foi acompanhado de palavras de ordem contra o regime, que provocaram a reação da polícia e de milícias pró-governo.

As cenas de violência lembraram os confrontos ocorridos seis meses atrás, quando a oposição foi reprimida nas ruas do país por contestar a legitimidade da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Desde então, os protestos e a repressão vêm se repetindo em datas festivas como o aniversário da Revolução Islâmica de 1979 e o Dia do Estudante.

Diante da proibição à entrada de jornalistas estrangeiros em Qom, os relatos sobre as manifestações de ontem foram limitados aos sites iranianos e aos comentários, vídeos e fotos enviados por pessoas que compareceram ao funeral. Não é possível precisar o número de presentes, mas as imagens disponíveis mostraram um mar de gente em torno do féretro.

Simpatizantes do governo responderam com violência. Segundo o site de notícias iraniano Ayande, chegaram a interromper o serviço fúnebre, rasgando cartazes e agredindo manifestantes na mesquita Azam, uma das principais de Qom, cidade considerada sagrada para muçulmanos xiitas.

Trajetória

Montazeri, morto de ataque cardíaco no domingo aos 87 anos, foi um dos arquitetos da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlevi e instaurou a teocracia no Irã, e chegou a ser cotado para substituir o líder supremo Ruhollah Khomeini. Com os anos, contudo, tornou-se um dos mais eloquentes críticos do regime. Sua insatisfação cresceu com a reeleição de Ahmadinejad, que chamou de fraudulenta.

A mobilização pela morte de Montazeri aumenta a pressão interna sobre o regime de Teerã, ao amplificar o apoio popular às posições críticas personificadas pelo clérigo xiita.

Assim que sua morte foi anunciada, líderes da oposição, incluindo os ex-candidatos à Presidência Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, decretaram luto nacional e convocaram seus seguidores a viajar a Qom para o funeral.