Particularmente, tenho este questionamento com bastante freqüência e confesso que a resposta me assusta em demasia. Alguns conceitos que são aprendidos e adquiridos no decorrer da vida são cada vez mais atuais no cotidiano de crianças e adolescentes. Não vejo mal algum em uma aceleração no processo cognitivo, apenas receio quando isto ocorre em situações que envolvem valores dos cidadãos. O respeito pela figura do professor é algo irrefutável em minha ótica. Não estou me referindo ao respeito punitivo e rigoroso, mas sim o de ter a admiração e consideração pela pessoa que nos apresenta esse mundo tão fantástico intitulado “conhecimento”.
Devo ressaltar que há uma linha tênue que separa os tipos de ausência de respeito com estes profissionais. Talvez seja um reflexo do convívio social pela qual estão inseridos. Nas classes sociais mais elevadas (média e alta) predominam ações coercivas e intimidadoras, cujo caráter está sempre relacionado ao dinheiro. As seguintes frases soam naturalmente, sem qualquer tipo de vergonha: - Estou pagando por isso! - Eu pago seu salário! - Você sabe quem são meus pais? Já nas camadas inferiores, observamos que a ameaça é caracterizada no que tange à integridade física do ser humano. Professores sofrem com atitudes violentas e xingamentos, colocando à prova todos os anos de esforço trilhados por estes profissionais.
Deixo bem claro que a condição social de uma criança não caracteriza quaisquer atos que venha a cometer. As ações supracitadas são apenas constatações, embora eu reconheça a existência de casos inversos de mau comportamento destas crianças. Ainda assim, estou certo de que há inúmeras outras que não compactuam e agem desta forma. E por este motivo, ainda tenho esperanças no futuro da nação brasileira. É uma pena que ainda não fomos capazes de colocar em prática o que nossa Carta Magna (Constituição da República Federativa do Brasil) menciona com relação à educação em seu artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” E para encerrar, apesar do ufanismo exagerado, segue uma expressão cotidiana - criada originalmente para fins publicitários, mas que me motiva a caminhar: sou brasileiro e não desisto nunca!
O autor, Allan Weslei Pereira, é colaborador de Opinião