Com esta, comemoramos hoje a 200ª edição desta coluna, graças à participação dos leitores e amigos, sinal que a receptividade da idéia inicial tem sido boa. Aliás, a idéia original sempre foi a de levar informações técnicas de forma simples e em doses homeopáticas para que leigos pudessem aproveitá-las e usá-las em seus veículos. Também não podia esquecer os aficionados e os técnicos, e ficar falando apenas coisas em linguagem simples. Desta forma, sempre mesclamos assuntos leves com outros de abordagem mais técnica e profunda, de forma a agradar a todos e preencher as lacunas de informação.
O carro participa de forma intensa no cotidiano de muitos, e sua importância nem sempre é levada em conta. Daí ter sua manutenção relaxada ou mesmo preterida, tornando-se alvo fácil dos picaretas. Sempre que houve oportunidade, falei das armadilhas que algumas “oficinas” preparam para os incautos, que sugerem a troca desnecessária de peças ou alegam ter trocado outras que não o foram realmente, cobrando tanto as peças quanto a mão de obra. Uma pessoa não precisa saber como funciona o mecanismo de um relógio para ler as horas, mas deve saber o mínimo necessário para não pagar pela troca da pilha de um relógio a corda... O mesmo se dá com o carro. Na hora de levar para a oficina, é importante pelo menos ter uma noção do que vai contar ao mecânico e descrever o problema.
Mas como descrever algo que não sabe o que é, ou como saber se aquilo que o deixou em dúvida pode ser ou não um problema? Insistimos que mesmo um leigo total sabe que se hoje algo estiver diferente do que estava ontem, por exemplo, um barulho diferente que não existia e apareceu de repente, ou um pedal que ficou mais duro ou mais mole do que era ou uma lâmpada qualquer que se acendeu no painel, pode ser um indicativo de eventual problema. Se esta dúvida for logo levada e descrita corretamente a um bom mecânico, poderá ser corrigida de forma simples, barata e segura. Nunca espere quebrar para depois trocar, pois aí a troca poderá incluir vários outras peças que estavam agregadas àquela que se quebrou e foram danificadas junto. Ensinamos a fazer uma manutenção preventiva e regular, de forma a manter o veículo sempre em condições de proporcionar uma rodagem segura.
Algumas vezes tive que “meter a boca” em determinados comportamentos de maus motoristas para que servissem de exemplo de como não fazer no trânsito ou agir com seus carros. A crítica foi sempre construtiva e com fins elucidativos, como quando falei da tal mania que vários motoristas têm de dirigir devagar pela esquerda só porque irão fazer um contorno daqui a dois quilômetros. Enquanto isso, eles ficam passeando pela esquerda sem olhar para trás e obrigando a que se ultrapasse pela direita, o que não é permitido e passível de multa. Mas também não é permitido andar devagar na faixa da esquerda e ninguém multa ou fala nada...
Mostramos a maneira correta e a errada de dirigir do ponto de vista do veículo, como não ficar com o pé descansando sobre o pedal da embreagem ou da mão sobre a alavanca de câmbio, e de suas conseqüências mecânicas. Lembramos que as marchas devem ser esticadas até a rotação de torque máximo do motor (cerca de 3000 rpm), de forma a otimizar a aceleração e diminuir o consumo, e não sair em primeira e logo colocar a segunda marcha, antes mesmo de ter atravessado o cruzamento. O motor (e o veículo como um todo) tem características que devem ser respeitadas para sua maior segurança e durabilidade, e sempre reforçamos isto.
Quero agradecer aos leitores pela participação via e-mail com perguntas e dúvidas, que me ajudaram a direcionar a abordagem dos temas e a responder às perguntas, e a todos os amigos jornalistas e fotógrafos do Jornal da Cidade, em especial ao Renato, Jabbour, Amaral, Marcelo, Giselle, Ana Paula que acreditaram no projeto e nos dão sustentação.
E falando em comemoração, esta nossa 200ª edição é apenas um marco despretensioso, pois ainda virão outros certamente. Nesta época do ano, a verdadeira comemoração que devemos celebrar é aquela outra muito mais importante, em que lembramos a vinda de Cristo ao nosso planeta Terra. Não digo celebrar da forma quase pagã como se faz hoje, mais voltada a quantas parcelas e juros terão suas compras, mas de forma familiar em oração e comunhão interna. Primeiro a reforma íntima, depois vem a do seu carro, da sua casa e do guarda-roupa. É isso que desejamos a todos nossos amigos leitores, um excelente e verdadeiro Natal!
* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.
Seu site é www.marcoscamerini.com.br.