A Polícia Civil investiga o segundo caso de desaparecimento de mulher em Bauru em menos de um mês. Depois de Adriana Melanda, 33 anos, que desapareceu no último dia 2 quando retornava de Marília para Bauru, agora policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Plantão da Polícia Civil e 2º Distrito Policial investigam o sumiço da revendedora de roupas Fernanda Tripodi, 26 anos. Ela saiu de sua casa no Núcleo Nova Bauru na última quinta-feira, dia 17, e não retornou. Seu carro foi encontrado ontem estacionado próximo à Unidade Básica de Saúde do Núcleo Mary Dota com uma quantidade expressiva de sangue no porta-malas.
Ainda não se sabe o que aconteceu e nenhum corpo de mulher, que possa ser o dela, foi encontrado, mas as principais suspeitas são de latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio. Segundo o marido de Fernanda, Roberto Carlos Fagundes, ela saiu de sua casa com o carro da família, um Gol ano 2006, por volta das 15h30 levando consigo mais de R$ 4 mil.
O dinheiro seria depositado em dois bancos diferentes nas imediações da Praça Portugal. Em seguida, a mulher iria comprar roupas em uma loja na avenida Nuno de Assis. No entanto, Fernanda não voltou para casa nem fez mais contato com os familiares desde então. “Fomos no banco e na loja que ela iria. Levamos uma foto dela e perguntamos para as pessoas se alguém tinha visto, mas ninguém sabia dizer nada. Parece que ela nem foi lá”, diz Fagundes.
De acordo com Roberto Terraz, delegado titular do 2º DP, os depósitos bancários não chegaram a ser realizados. “Pedimos para o marido verificar. Ele verificou e informou que os depósitos não foram efetuados. Estamos conversando com amigas dela, familiares, com quem a viu pela última vez, fizemos o bloqueio do veículo e estamos tomando outras providências que não podem ser divulgadas”, afirma.
Ontem, por volta das 9h, após receber uma ligação afirmando que um carro estaria há alguns dias no estacionamento da Unidade Básica de Saúde do Mary Dota em aparente estado de abandono, policiais civis foram até o local e identificaram o veículo, um Gol prata, como sendo o de Fernanda.
Ao abrir o porta-malas do veículo, a Polícia Científica encontrou uma quantidade significativa de sangue no carpete e em vários jornais que cobriam o espaço. Os jornais datavam do início do mês e um deles possuía uma etiqueta com endereço do assinante. Uma sandália de plástico prateada também estava na traseira do carro.
No interior do veículo foram encontrados diversos objetos pessoais como cadernos, uma bolsa, calculadora, desodorante, um pacote de absorvente e uma meia de bebê. Peritos trabalhavam procurando impressões digitais e outras pistas que pudessem levar à solução do caso. O delegado de plantão, Ronaldo Divino, esteve no local e afirmou que a suspeita é de que o carro estivesse estacionado no local, na rua Francisco Antonio Rodrigues, pelo menos desde segunda-feira.
As investigações continuaram à tarde, mas nenhuma nova informação surgiu. O delegado Ricardo Dias, da DIG, que está apurando o caso, frisa que, como não foi encontrado corpo, apesar do sangue achado no porta-malas, não se pode presumir que Fernanda esteja morta. Por isso, diz, a polícia trabalha com todas as hipóteses, inclusive com a que ela esteja viva.
“Vamos pedir análise do sangue primeiramente para saber se é humano. Como não temos amostras do sangue da Fernanda, não dá para fazer comparação, saber se é dela. Posteriormente, se for o caso, poderemos solicitar exame de DNA usando amostras de familiares”, explica.
Ontem à tarde ele ouviu o marido de Fernanda, que já havia dado depoimento no 2.º DP. “O marido acha que ela foi vítima de roubo, mas nós temos que investigar todas as possibilidades”, frisa. Mas ele chama a atenção para o local em que o carro foi localizado, em área de movimentação de pessoas. “Não sabemos a que horas o carro foi deixado lá, mas é muito estanho”, afirma. A tendência, em casos de roubo, é o ladrão abandonar o carro em lugares ermos.