08 de julho de 2026
Esportes

Falta de ginásio gera prejuízo

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de um ginásio maior em Bauru causa prejuízo ao GRSA/Itabom e pode fazer o time ter que jogar fora da cidade no caso de uma decisão de título no Novo Basquete Brasil. Anteontem, no quinto jogo do playoff contra Assis, os ingressos disponíveis para a partida no ginásio da Luso se esgotaram bem antes de atender à demanda dos torcedores. Foram muitos os bauruenses que queriam e não puderam acompanhar a vitória da equipe e a classificação no local.

A falta de um ginásio que comporte a paixão dos torcedores pelo time é alvo de críticas do técnico Guerrinha. “Ontem (anteontem), nós perdemos R$ 20 mil de receita para o time em função de Bauru não ter um ginásio. Se tem a Panela (de Pressão), dá para tirar isso aí por jogo. Bauru chegou ao cúmulo de no primeiro ano de governo não ter um real (de apoio), o outro (governo) foi péssimo, dava o ônibus e a arbitragem do juvenil. Este ano, só em alguns jogos (o governo municipal) deu a viagem do juvenil, uma espécie de esmola que eles estão dando. Então, não tem nada”, constata o técnico. “Você vê as outras cidades... A gente cansa de falar, tem lei de incentivo. Já passou um ano, fomos muito bem recebidos, muito educado, bonzinho, vai ver, vai ver, mas não viu nada”, declara o treinador, referindo-se ao prefeito Rodrigo Agostinho.

Guerrinha segue em seu raciocínio e aponta a urgência para que a cidade tome providências. “No ano que vem, passou o governo federal. Cadê o PAC aí com o qual eles (governo municipal) iriam conseguir tanta coisa? Se não conseguir agora e no ano que vem, nos dois últimos anos de governo, que não vai ter mais nem estadual nem federal, acabou. Recurso próprio não tem”, analisa. “Agora estão falando da Panela. Parece que vai resolver o problema do esporte de Bauru. Eu acho muito pouco, muito tímida esta ajuda. Só Panela não resolve. Tem estacionamento? A curto prazo, é dez o esforço de reformar a Panela de Pressão. Mas, para o próximo ano, já tinha que estar fazendo paralelamente à Panela de Pressão um projeto de uma Vila Olímpica em Bauru. Não é o ginásio multidisciplinar, é uma pista, uma piscina, um centro de lazer”, argumenta.

Guerrinha lembra ainda que a simples recuperação do piso na Panela de Pressão, como já foi aventado pela Semel, não resolve o problema, já que, segundo o técnico, o regulamento do NBB não permite jogos no tipo de piso existente no ginásio. É preciso trocar todo o piso e instalar outro, flutuante, para o GRSA/Itabom poder utilizar o local. “Tiveram boa vontade, pediram orientação para a gente, mas tem que trocar tudo. Se não for flutuante, não adianta”, comenta.

A falta de um ginásio compatível com o esporte bauruense pode causar uma situação, no mínimo, inusitada. Como o regulamente do NBB determina que as finais têm que ser jogadas em ginásio com capacidade de, pelo menos, 3500 pessoas, o GRSA/Itabom pode ter que fazer uma possível decisão longe de seus torcedores. Bauru teria que jogar em Assis ou em Araraquara, duas cidades menores, mas que têm ginásios com o tamanho exigido. “A final, a gente teria que fazer em Assis, que é o ginásio mais próximo, ou em Araraquara. A Panela tem capacidade, se conseguirem reformar a Panela até lá, dentro dos padrões que tem que ser, podemos fazer aqui. Tem que correr”, alerta.

Semel

O secretário municipal de Esportes e Lazer, José Carlos Batata, revela que o projeto de reforma da Panela de Pressão deve engrenar no início do próximo ano e o projeto da Prefeitura, agora, é alugar o espaço e cedê-lo às modalidades. “Nossa proposta é de alugar a Panela de Pressão. O projeto é o mesmo: ocuparmos a Panela de Pressão, cedermos espaço para todas as modalidades e ceder a quadra para o Bauru Basquete, para o vôlei e o futsal usarem”, projeta Batata. “Queria já estar até o final do ano dentro da Panela, mas ficou inviável por causa de trâmites burocráticos. Espero que até fevereiro nós da Semel estejamos já dentro da Panela de Pressão”, complementa.

Batata ainda entende que não é necessário trocar o piso da Panela para que o GRSA/Itabom possa jogar no local. O secretário garante que o piso do ginásio já é flutuante. “Não tem que trocar inteiro. O piso da Panela é flutuante, o que precisa fazer é trocar parte da madeira que apodreceu por falta de uso, por causa das goteiras e dos pombos que vivem dentro do ginásio. Temos que fazer a recuperação de algumas tábuas do assoalho, mas a estrutura do piso é flutuante”, frisa. O dinheiro para a reforma, segundo Batata, pode vir de uma emenda estadual, que pede a destinação de R$ 200 mil reais para a obra.