Todo final de ano, nos reunimos no Centro Social da Polícia Militar para um encontro de confraternização. Aparecem por lá muitos amigos meus, aposentados e também da ativa. Deixo de citar nomes e o local dos fatos, pois este realmente aconteceu e seria constrangedor para a família, devido a sua gravidade.
Conversa vai... conversa vem, sempre regada com um copo de cerveja e uma carne assada (pois ninguém é de ferro), um policial antigo contou-nos este episódio, que mesmo lamentável, não deixa de ser curioso:
Certo cidadão casou-se pretendendo passar sua lua-de-mel em uma cidade no interior. Sua sogra (tinha que ser) disse-lhe: “Vá com a Caravan do meu marido, mas antes deixe-me na casa de minha outra filha, que fica no meio do caminho”. E lá foram. Os dois pombinhos no banco da frente, e a sogra no banco de trás... dormindo. De madrugada, pararam em um posto, para abastecer. A noiva tentou puxar conversa com a mãe, que não respondeu. Preocupada, chamou o noivo, que constatou que “a velha havia morrido”! “Meu Deus, como isso pode acontecer?!” Correram para dentro do posto, a fim de achar um telefone. Agora... o pior! Quando voltaram, não encontraram mais a Caravan. Havia sido roubada!... e com o defunto dentro! Chegou uma viatura da Polícia Rodoviária, que comunicou a ocorrência a outras viaturas. Foi feito um patrulhamento por toda a região, sem no entanto conseguirem êxito. A Caravan havia sumido!
Continuando sua narrativa, o policial nos disse que acompanhou o caso por mais de cinco anos, mesmo depois de aposentado. Nada!... Nunca mais encontraram a Caravan e sua fúnebre passageira. Depois de todos esses anos, diz o policial que passou pelo posto novamente. Lá estava o mesmo frentista que havia atendido ao noivo na ocasião. Perguntou-lhe: “E aí, meu! Soube notícias se encontraram a Caravan e o defunto?”. O frentista respondeu: “Oia moço!... Se acharam a Caravan eu não sei! Só sei, que na mesma data, de madrugada, durante todos esses anos, a Caravan aparece na bomba de abastecimento, com um vulto dentro!... no banco de trás”. O policial não perguntou mais nada. Abasteceu e foi embora... todo arrepiado!
Luis Carlos Pasquarelo