09 de julho de 2026
Geral

Data faz alegria de adultos e alimenta prazer de crianças


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As mais sinceras representações do bom velhinho são aquelas que nascem do coração, sem profissionalismo e no improviso. Nada mais comovente do que uma barriga feita de almofada, uma barba falsa e um intruso relógio de pulso na hora de entregar os presentes. Os Papais Noéis caseiros são uma das últimas trincheiras do verdadeiro espírito natalino.

O ex-motorista de ônibus João Batista Bueno Junior, 48 anos, não deixa as crianças da Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Ayrton Senna, no Jardim Miriam, na zona sul de São Paulo, sem a visita de Noel. Para isso, passa o chapéu (no caso, o gorro vermelho) pelo pequeno comércio local em busca de doações.

“Tento arrecadar para comprar pirulitos. Em troca do dinheiro, cedo algumas horas do meu dia para ficar de Noel na frente das lojas que colaboram.”

Batista diz que chega a chorar quando não consegue dinheiro suficiente. “Tenho de levantar uns R$ 400, que são dois pirulitos por criança”, diz. Seu sucesso com a meninada independe da barba falsa ou do ‘oh oh oh’ desafinado. “Já puxaram minha barba, mas não importa. Elas sabem quando a gente é de verdade.”

Outro Noel, Orlando Augusto Figueiredo, 59 anos, conta que já viu muito adulto se emocionar com sua interpretação. Há 35 anos, ele alegra o Natal de sua família.

“Eu já entreguei presentes para várias gerações”, conta. Figueiredo está tão acostumado com o papel que criou técnicas para prender as almofadas na barriga. “Tem de ficar bem justinha”, brinca. Neste ano, ele vai surgir sem bota - já que ela está muito desgastada.

O taxista Cláudio Roberto Pereira de Carvalho, 55 anos, começou na vida de Noel amador durante uma farra entre amigos. “Depois do futebol, a gente saía de Papai Noel pelos bares do Ipiranga”, lembra. Seu lado Noel ficou mais forte quando alugou uma charrete para impressionar o filho e a ex-mulher. “Eu tinha acabado de me separar. Virei Noel para alegrar meu filho e, acho, reconquistar minha ex”, conta.

No universo dos Noéis amadores, o personagem não precisa ser gordinho ou ter mais de 60 anos. Rafael Gaeta, 13 anos, é o interprete oficial de sua família desde 2003. “Quando descobri que Papai Noel não existia, decidi me vestir de vermelho e fazer a festa aqui de casa”, conta. Com Gaeta, o espírito natalino está salvo.