11 de julho de 2026
Regional

Família acusa negligência de hospital

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - A Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte do frentista Luiz Cláudio Luchetti, 44 anos, morador de Bauru, ocorrida no início da madrugada do último dia 18 no Hospital de Agudos. O homem foi vítima de um acidente de trânsito registrado no dia 17 em frente à Faculdade de Agudos (FAAG), envolvendo sua motocicleta Honda CG 150 e um Santana de Agudos.

De acordo com o delegado Eduardo Herrera, responsável pela condução do inquérito, a polícia aguarda os resultados do exame necroscópico feito pelo Instituto Médico Legal (IML) para dar início às investigações. Além das circunstâncias do acidente de trânsito, segundo o delegado, serão apurados o atendimento prestado pelo Hospital de Agudos a Luchetti e a causa de sua morte.

Thailise Ramos Luchetti, 22 anos, filha da vítima, conta que seu pai viajou no dia 17 de dezembro até Agudos para fazer um trabalho extra. Por volta das 19h30, na rua Celso Moratto Leite, 1200, em frente à FAAG, via de acesso à cidade, ele teve a frente da sua motocicleta cortada por um veículo Santana que tentava entrar no estacionamento da faculdade.

Segundo ela, a partir daí, uma série de fatos teriam contribuído para sua revolta. Thailise revela que populares, que estavam no local, teriam entrado em contato com uma unidade de resgate da concessionária Rodovias do Tietê, responsável pela administração do trecho, para que seu pai fosse socorrido. Em seguida a família foi acionada e se deslocou até o local para acompanhar o atendimento. Segundo ela, a viatura teria demorado cerca de 50 minutos para chegar até o local e mais 15 minutos para remover a vítima até o Hospital de Agudos.

Como seu pai reclamava de fortes dores nas costas e muita sede, e com medo de que seu quadro de saúde fosse mais grave do que aparentava ser, a família teria pedido para que ele fosse levado até o Pronto-Socorro (PS) de Bauru, mas a solicitação não foi atendida. Ao dar entrada no Hospital de Agudos às 20h11 reclamando de dores nas costas e no tornozelo, Thailise explica que seu pai foi atendido por uma médica plantonista que lhe receitou remédio via oral para aliviar a dor.

Em princípio, segundo a ficha de atendimento do paciente, a médica teria diagnosticado politrauma e solicitado diversas radiografias. A filha conta que o profissional responsável por tirar as radiografias estava em sua casa e a família teve que aguardar mais de uma hora até que ele chegasse à unidade. O cunhado de Luchetti, Marcos Antônio Ramos, 39 anos, diz que, em momento algum, ele foi imobilizado. Ainda segundo ele, os familiares tiveram que colocá-lo e retirá-lo da maca porque não tinha nenhum profissional para fazer o serviço.

O cunhado da vítima conta que chegou a chamar o médico por diversas vezes afirmando que Luchetti estava gritando de dor, reclamando de falta de ar e apresentando cor amarelada. De acordo com ele, o profissional chegou a utilizar um equipamento para verificar sua respiração. Mas já era tarde. À 1h10 do dia 18, o paciente morreu por insuficiência respiratória, contusão pulmonar e afundamento do tórax.

A família acredita que houve negligência e omissão por parte da concessionária que transportou Luchetti até o Hospital de Agudos e dos médicos que o atenderam. “A família entende que os médicos pensaram que, por ele não estar com nenhum machucado no corpo, não era nada tão grave. Por isso não fizeram mais nada. A gente só quer justiça porque trazer meu pai de volta eles não vão trazer. Mas vão ter que pagar pelas conseqüências deles”, diz Thailise. “Principalmente para não acontecer de novo com outra pessoa porque o atendimento foi péssimo. Eles não têm estrutura e nem equipamento para atender”, completa o cunhado.