São Paulo - O jornal francês “Le Monde” escolheu o presidente Lula como “Homem do Ano” de 2009. O prêmio foi criado este ano pelo prestigioso jornal francês, que elogiou o brasileiro por dar uma nova imagem à América Latina. “Aos olhos de todos, (Lula) encarna o renascimento (...) de um gigante”, diz o jornal.
Na edição de ontem, o “Le Monde” diz ainda que Lula criou uma nação democrática e dinâmica, que combate a pobreza enquanto promove o crescimento econômico. “Participante do grupo dos países emergentes, mas também do mundo em desenvolvimento com o qual se sente solidário”, Lula “colocou firmemente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento”.
O prêmio, explica o jornal, é resultado também da bem-sucedida campanha de Lula para transformar o Brasil em ator internacional. “Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito”, diz o artigo, assinado por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.
O jornal destaca ainda que Lula encerrará seu mandato em 2010 sem pleitear por um terceiro mandato - tendência nas vizinhas Venezuela, Colômbia e Bolívia. “Seguiu sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso com os equilíbrios naturais”, diz a publicação.
Lembrando os tempos de líder sindicalista, o jornal brinca com o então discurso de Lula contra o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Hoje já não é o FMI que ajuda o Brasil e sim o inverso.”
A publicação destaca, contudo, que nem tudo são flores no governo Lula. No que chama de “parte obscura”, o “Le Monde” destaca que o Brasil continua sendo “um dos países mais desiguais do mundo (...) dividido entre um Sul rico e dinâmico e um Norte arcaico”.
Entre as falhas do presidente constam ainda um sistema de educação “medíocre”, um sistema de saúde “deficiente”, uma burocracia “pesada”, uma polícia “ineficaz” e uma justiça “preguiçosa”.
O prêmio crava o bom momento vivido por Lula no Exterior. No começo do mês, o jornal espanhol “El País” também concedeu a Lula o prêmio de “personagem do ano” e a revista britânica “The Economist” dedicou um número especial ao Brasil que trazia na capa o Cristo Redentor como um foguete, rumo ao espaço.