08 de julho de 2026
Política

Praças e calçadas sofrem com desleixo

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Cartões de visita da cidade, as praças e passeios públicos, entra e sai ano, parecem cada vez mais deixados de lado. Mato nas calçadas e áreas públicas de lazer tomadas pela sujeira afugentam freqüentadores em busca de divertimento saudável e seguro e se tornam atrativos para aqueles que buscam refúgio para atitudes ilícitas ou depredação.

Sem um setor específico, a degradação é observada desde áreas consideradas nobres até os bairros mais carentes da cidade. Além da deficiência do poder público em manter os locais sob sua responsabilidade, a falta de zelo, ou mesmo gestos de vandalismo por parte de moradores, também contribuem para a deterioração física e estética do perímetro urbano.

Não é preciso andar muito para se deparar com os obstáculos do desleixo. Quem sai para caminhar pelas ruas da cidade facilmente encontra algum vestígio da falta ou de manutenção do passeio ou praças públicas.

Um desses locais é o final da rua Araújo Leite, ao lado do Aeroporto na área urbana. Tradicional reduto de caminhadas, a calçada ao lado do alambrado que cerca a pista de pousos e decolagens está parcialmente coberta pelo mato e obriga freqüentadores a se manterem atentos, seja pelo obstáculo ou risco de insetos camuflados.

Na mesma rua, algumas quadras atrás, as calçadas – nesse caso responsabilidade de moradores – também não são tão convidativas para uma caminhada, com desníveis que podem resultar em acidentes, além do mato, que, ao que tudo indica, é problema que aflige todas as regiões. “É na cidade toda, está terrível”, observa o comerciante Ricardo Zogheib, que caminhava ontem à tarde no local. “As calçadas são irregulares. É descuido dos próprios donos dos imóveis”, acrescenta. “Outras cidades menores são mais bem cuidadas do que Bauru”, opina Érica Regina Buozo, que fazia a mesma atividade, na mesma região.

Nas praças, o descontentamento também é manifestado por usuários que ainda relutam em ceder de vez os locais públicos de lazer para outras freqüentadores com objetivos que passam longe de atividades saudáveis. “Aqui é muito complicado durante a semana, com molecada fumando maconha logo pela manhã”, testemunha a psicóloga Rosângela Barbosa Grassi, que aproveitou a “trégua” da tranqüila tarde de feriado de Natal para levar a filha Ana Júlia, de um ano, para um passeio na praça das Cerejeiras.

O local abriga nada mais nada menos do que a sede da Prefeitura, mas tem o lago sujo, com o entorno adornado por sacolas plásticas, papéis e diversos outros tipos de sujeira, além de ser, de acordo com moradores, ponto de uso de drogas em determinados horários.

Até trabalho de macumba, atesta a moradora, já foi encontrado em frente a um caixa eletrônico que funciona na praça. “Era uma das praças mais bem cuidadas da cidade. Meu pai mora aqui em frente há 30 anos e lembro como era”, recorda a psicóloga. “Parece que piora a cada mandato”, opina. “Aos domingos ou feriados ainda dá (para freqüentar o local) mas em dia de semana é terrível”, acentua o sindicalista Rogério Ursulino de Paula, marido de Rosângela.