09 de julho de 2026
Internacional

Papa sofre agressão e pede paz em meio a temor com a sua segurança


| Tempo de leitura: 3 min

Cidade do Vaticano - O papa Bento XVI pediu ao mundo ontem que abandone a violência e a vingança e não mostrou sinais de perturbação depois de uma mulher saltar sobre ele e levá-lo ao chão na véspera de Natal.

Em sua tradicional mensagem “Urbi et Orbi” para a cidade e o mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, o pontífice cobrou do mundo que redescubra a simplicidade da mensagem de Natal e leu cumprimentos em 65 idiomas.

Enquanto o papa falava a dezenas de milhares de pessoas que estavam na praça abaixo, o Vaticano seguia concentrado no incidente da noite de quinta-feira, que trouxe dúvidas sobre se Bento XVI pode ser protegido durante momentos de contato próximo com o povo.

Susanna Maiolo, de 25 anos, chocou o mundo católico e a segurança do Vaticano ao saltar sobre uma barricada na basílica, agarrar o papa por suas roupas e derrubá-lo ao chão

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse na sexta-feira que é impossível fornecer segurança perfeita ao papa porque estar perto das pessoas é parte de sua missão. “É impossível evitar todas as possibilidades de algo acontecer, mesmo em curto alcance”, disse ele a jornalistas.

“O papa quer ter um relacionamento direto, pastoral com as pessoas, no qual você pode tocar crianças, apertar a mão e fazer o que quiser e o que as pessoas querem que você faça”, afirmou Lombardi.

Mensagem

O papa pediu um tratamento humano aos imigrantes, o fim da violência no Oriente Médio e a volta da democracia em Honduras ontem durante a mensagem de Natal “Urbi et Orbi”, poucas horas depois da agressão que sofreu por parte de uma mulher com transtornos mentais.

Segundo o papa Bento XVI, os imigrantes obrigados a deixar seus países por fome ou intolerância merecem um tratamento mais digno por parte dos países que os acolhem.

“Diante do êxodo daqueles que emigram de sua terra e por causa da fome, da intolerância ou da deterioração ambiental se vêem forçados a marchar para longe, a Igreja é uma presença que pede o acolhimento”, disse ele, que não aparentava problemas de saúde e estava sereno, mesmo após o tombo que sofreu ontem ao ser atacado por uma mulher no início da Missa do Galo.

Aos habitantes do Oriente Médio, Bento XVI pediu que deixem a violência e a vingança de lado. “A Igreja (...) pede aos habitantes da Terra Santa que abandonem toda lógica de violência e vingança, e se comprometam com renovado vigor e generosidade a uma convivência pacífica”, disse o papa aos milhares de fiéis que estavam na praça de São Pedro, no Vaticano.

Ele ainda denunciou que, às vezes, cristãos no Oriente Médio sofrem “violências e injustiças”, mas que estão sempre dispostos a dar sua própria contribuição à edificação de uma convivência pacífica.

O papa ainda pediu a reconciliação e a paz em outras partes do mundo - como o Sri Lanka, a península coreana, as Filipinas e a República Democrática do Congo (ex-Zaire) -, aos moradores de Guiné e de Níger que respeitem os diretos humanos e o diálogo, que os americanos e europeus superem “a mentalidade egoísta e tecnicista” e que a Igreja em Honduras ajude o país “a retomar o caminho institucional”.