Traçar uma meta é obrigação. Essa é a ordem do consultor organizacional Davison de Lucas para quem busca viver melhor a partir de um plano bem feito no início de um novo ano. Colunista do JC, palestrante e orientador corporativo, ele afirma que, acima de tudo, é preciso estabelecer um plano de vida, assim como um piloto de avião faz um plano de vôo.
Segundo ele, alguém que não decide o próprio rumo é comparada a uma aeronave a deriva no céu. “É como um boeing queimando combustível. Aí o piloto pergunta para o co-piloto, que são você mesmo, ‘e aí, vamos para Londres ou Nova York?”, exemplifica.
E continua: “Nisso passaram quinze anos, sem definição. Na terceira idade, com o combustível já acabando, a pergunta continua. “Vou para Londres ou Nova York?”, ilustra. “Vejo muita gente que ‘morre’ com 40 anos e é enterrado com 80. É uma lei, temos que ter objetivo”, insiste.
E, se a ordem é viver, com a perseverança de que é necessário se mexer para conquistar as metas, a família do porteiro Henrique Amalio Alvarez, de 29 anos, dá uma lição do que é lutar pelo o que se quer, sem esperar que algo caia do céu, independentemente ao tamanho do sonho.
“Pretendo viajar em 2010. Quero ir ao litoral, nunca conheci o mar”, almeja o jovem, que pretende levar a filha Stheffani, de 5 anos, e a esposa Marcela, grávida do segundo filho do casal.
“Tive que deixar muita coisa de lado neste ano. O orçamento apertou, pagar aluguel não é fácil, mesmo porque minha família depende apenas de mim”, atribui o porteiro, que, em 2009, também enfrentou dificuldades com problemas de saúde da mulher.
“Minha esposa enfrentou tratamentos e cirurgia”, sintetiza. “Para 2010, quero também estudar, me matriculei em curso técnico na área de informática no CTI (Colégio Técnico Industrial). Daqui a um ano quero arrumar um estágio na área. É preciso correr atrás. Isso é que é importante”.
(In) disciplina
Para o consultor Davison, a dificuldade de organização é um ranço cultural herdado pelos brasileiros. Enquanto pessoas de outras nacionalidades, principalmente européias e orientais, segundo ele, têm, desde o berço, a disciplina como motor do desenvolvimento pleno de projetos de vida, o brasileiro, de forma geral, sofre com um “comodismo herdado” e institucional.
“O brasileiro ainda não tem na cultura a disciplina, como o povo europeu. Aliás, se existe um povo sofrido no planeta é o europeu. Passaram por uma série de guerras. Os japoneses sofreram também. A dor e o sofrimento são grandes agentes de transformação”, relaciona.
Ele lembra da indisciplina no histórico do país. “O brasileiro cresceu indisciplinado, mas o País mudou e se tornou empreendedor. Hoje se cobra muito, internamente, a disciplina”, acentua.
“Hoje, para se ter equilíbrio, é preciso novas competências, novas inteligências. Antigas instituições deixaram um legado extremamente negativo. Vida é movimento. Toda instituição que te leva para a acomodação deve ser vista com desconfiança”, acredita o consultor organizacional.