Carpir terrenos, colocar pedras nas ruas, construir taludes e ficar de olho nos animais peçonhentos tem sido a rotina dos moradores das ruas Nelson Spinelli e Alcides Augusto Mendonça, localizadas no Jardim Olímpico.
É que as ruas, com 50 metros e 100 metros, respectivamente, existem há cerca de 20 anos e ainda não foram asfaltadas, fato que é sinônimo de trabalho extra e preocupação para os moradores locais.
“Aqui a enxada e a vassoura ficam de plantão. Não é porque a prefeitura não toma providências que nós vamos abandonar também. A solução temporária que encontramos foi reunir os moradores e fazer o serviço: limpamos os terrenos, cuidamos para não jogar lixo, até um talude construímos para barrar a entrada da água na rua. O problema é que não dá mais para ficar assim”, reclama Rosineide Torres Campos, moradora do local.
A situação fica muito pior com a ação das chuvas, típicas desta época. Prevendo os estragos, os moradores compraram dois metros quadrados de pedra para colocar na rua, providência que custou cerca de R$ 80,00 para cada residência.
“Meu marido já chegou a ir atrás de caçamba para pegar entulho e pôr na rua, é uma vergonha. Até pedra compramos para amenizar a situação, mas ainda assim é complicado, a água entra pela terra, prejudica a calçada e até mesmo as casas, está tudo oco”, completa Maria Aparecida Ferreira, moradora.
A notícia de que a prefeitura asfaltará 500 ruas no próximo ano deixou os moradores do local frustrados. “Moramos aqui há 23 anos e a administração nunca carpiu sequer um terreno para nos ajudar. Estávamos ansiosos para que nossas ruas fossem contempladas com asfalto em 2010, mas tamanha foi nossa surpresa quando foi divulgada a lista das ruas escolhidas e não estávamos incluídos. Nós nunca fazemos protesto, nunca queimamos pneus, sempre optamos por cuidar do local. Penso que a situação é cômoda para a prefeitura”, alfineta Ferreira.
Campos atribui o descaso ao tamanho das quadras. “São ruas pequenas, que não passam ônibus, então a administração pouco se importa, acha que não tem necessidade”, justifica.
De acordo com Ferreira, os moradores já procuraram a Secretaria de Obras da cidade para cobrar mudanças, mas foram informados que teriam que pagar pelo serviço.
“Nós fomos orientados a procurar uma empresa de pavimentação para fazer o serviço de forma particular. Fizemos isto, mas até o momento nem o orçamento eles nos passaram.”
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, não foi encontrado para falar sobre o assunto. A prefeitura vai ampliar o programa de pavimentação em 2010.