08 de julho de 2026
Geral

Natal sem coleta acumula lixo nas calçadas

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Todo ano é a mesma coisa: depois de feriados prolongados e grandes festas como o Natal, o lixo se acumula nas calçadas e ruas da cidade causando transtornos devido à falta de continuidade do serviço essencial. O mau cheiro e a “distribuição” de materiais pelas ruas, levados sobretudo pelas chuvas, se repetiu ontem com a parada no serviço de coleta domiciliar.

Para dar folga aos coletores no sábado, dia normal de trabalho na programação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a administração realizou o serviço somente na última quinta-feira nas residências, suspendendo o trabalho na sexta-feira, sábado e domingo, com retorno programado apenas para hoje.

Na manhã de ontem, a reportagem do JC passou por vários bairros da cidade e constatou uma unanimidade entre eles: sacos e mais sacos se acumulavam nos portões, lixeiras, caçambas e calçadas das casas. Em muitos casos, as embalagens plásticas estavam rasgadas, o que facilitou a dispersão do lixo e atraiu insetos como moscas e mosquitos.

Onde os materiais não atraíram mosquitos, o lixo se espalhou pelas vias em razão de enchurradas. “Aqui, no Centro da cidade, parece que a coleta foi eficiente. Digo isso porque não vejo montes de lixo acumulados”, observa o comerciante Aparecido Cardoso de Souza, que tem comércio próximo à Praça Rui Barbosa. A Emdurb promoveu coleta especial no sábado para o Calçadão da Batista e proximidades.

Bairros com lixo

Já no Núcleo Mary Dota, bairro onde o comerciante mora, os caminhões coletores não estiveram presentes neste feriado. “Ao menos na rua da minha casa, os detritos foram recolhidos na quarta-feira e ficarão lá até amanhã (hoje), quando a coleta volta a ser feita”, relata Aparecido.

A auxiliar de enfermagem Alda Aparecida da Silva é moradora da rua Alberto Paulo Vick, também no Mary Dota. Para que o lixo não ficasse parado em frente à sua residência, ela o deixou armazenado dentro do quintal, próximo ao portão. “Prefiro assim porque se ficar na calçada, os cachorros vêem e rasgam tudo. Viajei no Natal, então, hoje (ontem), coloquei para fora à espera dos coletores”, diz.

Ela conta que em sua rua a coleta é feita, normalmente, às terças e sextas-feiras, o que, para ela, é suficiente. “A coisa só complica mesmo nos feriados”.

Mas, o problema não se concentra apenas em bairros mais afastados. Avenidas movimentadas e que são cartões postais da cidade, como a Nossa Senhora de Fátima e a Getúlio Vargas, também apresentam o mesmo cenário: muitas caçambas e lixeiras transbordando.

“Bauru fica feia, mas eu até gosto quando a coleta não é feita porque eu consigo mais material reciclável”, confessa o catador Benedito Donizete de Souza. Ele diz que domingo é dia de descanso para a maioria das pessoas que trabalham como ele, mas, depois de feriados, embalagens mais disputadas – como as latinhas de alumínio - são mais fáceis de serem encontradas.

Ano Novo

Ontem, a reportagem procurou o presidente da Emdurb, Rubito Ribeiro, para falar sobre o assunto mas não o encontrou.

Em outra ocasião, em matéria já publicada pelo JC, ele disse que para o feriado Ano Novo a Emdurb estuda outras medidas. “Pode ser que seja igual ou diferente às folgas do Natal. A gente não sabe, vamos analisar e monitorar”, disse.