Sempre encarei com certo ceticismo essa história de se curar através do pensamento positivo. Nada contra a idéia lógica, irretorquível da “descarga” energética das nossas imperfeições, que acabam gerando as doenças em nosso físico, doenças notadamente conhecidas como psicossomáticas. A cura verdadeira, sem dúvida, vem da saúde da alma. Mas superar determinada doença simplesmente através de uma afirmação mental? Inverossímil. Coisa para faquir.
Até que o meu amigo Joanico, espontaneamente, contou-me sua experiência. Depois de longo tratamento de refluxo gástrico, disse claramente ao médico: “Estou melhor. Mas não me sinto curado”. Mais remédios, daqueles de violenta reação colateral. Regime alimentar. Bravo. Nenhum alimento passaria incólume da vigilância médica. Foi quando que, quase que por acaso, sentou-se na mesma mesa de uma irmã de crença numa promoção beneficente.
Terapeuta floral, homeopata, profunda observadora da criatura humana. “Não são os alimentos que estão lhe fazendo mal. Você é que não os está recebendo bem”, tentou a especialista. “Como assim? Não entendi”, falou nosso amigo doente gástrico. “Passe a observar-se. Procure identificar alguma contrariedade ou preocupação quando o refluxo se manifestar”, orientou a profissional.
Se fosse comigo, não funcionaria. Sou péssimo observador de mim mesmo. Mas meu amigo, não. Ele é meticuloso, inteligente e detalhista. Percebeu, inicialmente, que quando dava bronca no seu filho, a comida já descia “raspando” o esôfago. Depois notou que, próximo dos dias de pagamentos das contas, o mal se agravava. Não é que o nosso amigo começou a detectar uma correlação entre o seu humor, sua receptividade e seu estado emocional e as suas crises de refluxo? Dias atrás me informou: “Quando consigo dominar minhas emoções, as crises não aparecem.”
Está em franco progresso de domínio de suas reações e contrariedades. Um autêntico processo de “conhece-te a ti mesmo” em prática, com excelentes resultados. Resultados palpáveis. Comprovados por sua melhora física e pelos familiares que o vem agora mais comedido e equilibrado. Um processo de cura de dentro para fora, com certeza.
Há uma tendência dos reencarnacionistas, particularmente dos espíritas, de explicar dores e sofrimentos com questões mal-resolvidas em vidas anteriores. Vimos através do relato do meu amigo Joanico que, se não dominarmos nossas emoções, elas viram doenças. Richard Simonetti, escritor espírita, em interessante estudo no seu livro “Bem Aventurados os Aflitos”, relembra que existem dores às quais não estamos inapelavelmente sujeitos por desacertos do passado.
Muitas das vezes, a causa é hoje, e a conseqüência também: excessos alimentares, vida sedentária, déficit de sono, vícios, sentimentos de ódio, rancor, prepotência, mágoa, preguiça, desânimo, pessimismo, atingem de cheio nosso corpo.
Controlando e minimizando essas situações, estaremos limpando os males da nossa alma na medida em que eles aparecem em nossa vida, evitando que se transformem em dores que gerarão mais dores, em futuro próximo, ou distante. Que tal imitarmos o exemplo do nosso personagem e passarmos a controlar os nossos excessos? Para o nosso próprio bem!
O autor, Sidney Francez Fernandes, é empresário e orador espírita