Com vistoria a uma casa para alugar na quadra 7 da avenida Duque de Caxias, o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) de Bauru e Região desencadeou ontem uma operação de “guerra” contra o mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue. Acompanhados por um agente de controle de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, sete corretores de imóveis visitaram a casa desabitada à procura de recipientes que possam acumular água e tornar-se criadouro do inseto.
A orientação do Creci é para que todos os corretores, ao mostrar os imóveis para os clientes, verifiquem se há criadouro do Aedes. Se houver, destrua-o imediatamente ou informe a Secretaria de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva. Os vizinhos de imóveis para alugar ou vender podem denunciar a existência de água acumulada onde o inseto pode se procriar - como caixa d’água destampada, piscina, pratos de vasos, garrafas e pneus velhos no fundo do quintal - à imobiliária que cuida do prédio ou ao Departamento de Saúde Coletiva.
Ontem, no imóvel vistoriado, os corretores taparam cinco ralos usando adesivos plásticos distribuídos pelo Creci São Paulo. O dispositivo evita que o Aedes aegypti tenha acesso a água e, conseqüentemente, deposite seus ovos. “Nosso objetivo é conscientizar todos os corretores do risco da epidemia de dengue, de que ele próprio, seu cliente ou alguém da família pode contrair dengue. E também a população de maneira geral para que não deixe destampado nenhum recipiente que acumule água”, ressalta Giasone Albuquerque Cândia, membro do conselho fiscal do Creci São Paulo e, em Bauru, do Comitê Ambiental para Controle de Endemias.
Ele lembra que o verão, estação chuvosa e quente, está no início e há risco de epidemia de dengue nos próximos meses. “Após palestra sobre a dengue para os corretores, hoje (ontem) essa campanha está sendo deflagrada no Estado todo a pedido do próprio governo”, frisa.
Vistorias anteriores feitas em casas e prédios desabitados em Bauru constataram que 80% deles tinham criadouro do mosquito da dengue. Bauru está na terceira colocação no Estado de São Paulo entre as cidades em situação de alerta devido à doença.
Neste ano, até ontem, Bauru somava 20 casos de dengue, mas em 2007 viveu epidemia com 2.007 pessoas infectadas. A cidade conta com 130 agentes de controle de endemias e outros 12 agentes de saneamento que visitam os imóveis.
Se encontrar imóvel com criadouro do mosquito, o agente pode aplicar multa, com base no Código Sanitário, que varia de R$ 250,00 a R$ 2,5 mil. Mas, o multado pode recorrer e, se perder, demora para pagar. Por causa disso, a medida mais adotada, por ser considerada mais eficaz do ponto de vista de saúde pública, é orientar o responsável pelo imóvel a eliminar o criadouro do Aedes e retornar no dia seguinte para verificar se ele cumpriu a determinação.
O telefone do Departamento de Saúde Coletiva para denúncias é (14) 3227-3788.