08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Grito de alerta"


| Tempo de leitura: 4 min

Muitas vezes os compositores e cancioneiros populares constroem canções com duplo sentido de entendimento e que damos o nome de mensagens cifradas. Na década dos anos sessenta, também chamada dos anos de chumbo, muitos compositores da música popular brasileira produziram mensagens musicais dessa maneira para levar à população a sua mensagem de inquietação face aos problemas político-sociais que a nação brasileira vivia. Gostaria que você, caro leitor, refletisse sobre a música "Grito de Alerta", tão bem interpretada por Maria Bethânia e que a nosso ver traz em seu bojo a dupla interpretação a que nos aludimos, em relação à nossa cidade. Considero primeiramente que Bauru é um “chão de passagem”, pois o fenômeno da migração é muito latente.

Eu mesmo estou aqui há 33 anos, quando para cá me desloquei com a família por razões de oportunidades de trabalho profissional. Creio que com muitas famílias tal fato também aconteceu. Bauru sempre me foi acolhedora, uma grande marca de seus habitantes, o que me fez criar raízes sociais de convivência saudável. Poucas são as cidades brasileiras com essa marca com essa vocação. Mas isso só não basta. Muito se alardeia sobre o progresso e desenvolvimento de nossa cidade em todos os setores, seja de saúde, educação, trabalho, transportes, sistema viário, infraestrutura, urbanização, etc. Se você quiser conferir, caro leitor, apanhe um ônibus de transporte coletivo, percorra as regiões norte, sul, leste e oeste e comparece o descompasso entre os indicadores sociais.

É notória a diferença de qualidade de vida entre as regiões norte, leste e oeste em comparação com a região sul já a partir da avenida Duque de Caxias. São duas cidades. Não quero, não devo estabelecer aqui uma luta de classes, mas sim uma comparação onde os governantes municipais de plantão, estabeleceram suas prioridades de administração, criando um fosso de desigualdades. Quando falo de governantes municipais, incluo também o Poder Legislativo, que evita debater a nossa cidade com maior determinação, discernimento, compromisso e tato, pois é para isso que esse poder existe como representante da população de forma mais direta. Mesmo em havendo renovação das cadeiras de nossa Câmara Municipal, parece que a cada mandato, nossos nobres edis aprendem rapidamente a fórmula de seus antecessores não se envolvendo em profundidade com os nossos problemas.

Bauru não consegue produzir políticos que “pulem as suas cercas” e com determinação e competência consigam arrastar tanto do governo da União como do Estado investimentos necessários ao seu desenvolvimento. O que temos conseguido ao longo dos anos através de nossos representantes (deputados federais e estaduais) são pequenas e pálidas ações pontuais. É muito pouco. Somos parceiros dos governos federal e estadual quando se trata de arrecadar impostos, prestação de serviços (vide pedágios) e de transferir fontes de receitas, como foi o caso das privatizações de setores governamentais instalados em nossa cidade, porém sem contrapartidas. O que fizeram nossas lideranças políticas?

Não me venham com “chorumelas” de dizer que não existe dinheiro. Gostaria de dar um recado aos políticos de nossa cidade de visitar a cidade de Araraquara, perto daqui a 125km, e constatar os aportes de recursos que tanto o governo federal como estadual proporcionou e proporciona àquela cidade. Conheçam a obra do Campo Esportivo da Ferroviária, hoje transformado em Arena, onde acontecem eventos esportivos e culturais; a remoção do leito ferroviário do centro da cidade; a verba liberada de 1,5 milhão pelo governo do Estado para pavimentação asfáltica da periferia. Deixo de mencionar programas de menor envergadura que esse município conquista com suas representações políticas.

Ao prefeito municipal Rodrigo Agostinho, com o respeito que é devido, gostaríamos de dizer que num município tudo é importante, inclusive a av. Comendador da Silva Martha, que vai ficar muito bonita e atraente, mas existem ruas que o cidadão comum não consegue tirar o carro da garagem por causa de erosões; ligações entre bairros precisam sair do papel, bolsões de entulhos precisam ser criados, poda de árvores precisam ser elaboradas, a fiscalização de terrenos abandonados e com mato crescido necessita de maior rigor, assim como com os transportadores de entulhos, principalmente carroceiros e contribuintes que jogam todo tipo de lixo em vias públicas e terrenos; e o recape asfáltico de ruas e avenidas importantes das regiões oeste, norte e leste que necessitam urgentemente desse recurso, como ocorreu em diversas ruas da região sul. A todos os bauruenses, concito que olhemos mais para o todo de nossa cidade, pois todos nós vivemos dentro do todo e não somente na rua de nosso domicílio ou de nosso bairro. Feliz Ano Novo renovado.

Antonio Carlos Pinto de Arruda