10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mega-Sena da Virada leva milhares a casas lotéricas em Bauru

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

De olho no prêmio recorde de mais de R$ 120 milhões - que, de acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF), pode ser considerado o maior a ser pago por uma loteria na América Latina -, brasileiros de todos os sexos, idades e profissões têm enfrentado filas enormes a fim de registrar seu palpite na Mega Sena da Virada. Seis números, em um universo de 60, podem significar o passaporte para uma vida de luxo e esplendor desmedidos.

Do começo deste mês até ontem, a CEF havia contabilizado 71,5 milhões de apostas em seus computadores. Foram emitidos cerca de 20 milhões de bilhetes em todo o País. O banco não sabe precisar quantos palpites foram registrados nas lotéricas de Bauru e região.

Ontem, porém, foi possível notar que o movimento nos estabelecimentos da cidade era imenso. Até mesmo quem costuma jogar em loterias resolveu fazer sua “fezinha”. Foi o caso da aposentada Valdira dos Santos, 56 anos, moradora de São Paulo que veio a Bauru para passar as festas de final de ano.

Ontem, ela estava no Centro, acompanhada do marido, José Roberto Barros, 60 anos, e do neto Willian de Barros Barcelo, 7 anos, e resolveu entrar numa lotérica para jogar na Mega da Virada. Fez uma única aposta, enquanto o esposo arriscou três palpites.

“Se eu ganhar esse prêmio, vou dar todo o dinheiro para os meus filhos”, disse ela. O marido, por sua vez, não se mostrava tão animado. “Para dizer a verdade, nem quero ganhar. Depois que você fica rico, perde o sossego”, afirmou José Roberto.

A aposentada Clarice Cesário, 50 anos, também resolveu jogar na Mega da Virada. Embora aposte em loterias há vários anos, nunca foi premiada (nem conhece alguém que tenha sido). “Eu nem gosto de pensar em ganhar sozinha um prêmio desses. É muito dinheiro”, disse.

O aposentado José Cardoso das Neves, 74 anos, é outro que também jamais teve a sorte de ser contemplado pelas loterias do Governo Federal (que, por meio da CEF, detém o monopólio desse tipo de serviço no País, desde os anos 40). “O máximo que consegui, até hoje, foi ganhar R$ 1,00 nesses bolões”, disse.

Oito anos atrás, um compadre de José ganhou na loteria e usou o prêmio para construir uma casa no Jardim Petrópolis. Se faturasse os R$ 100 milhões da Mega da Virada, o aposentado garante que aplicaria na poupança uma parte do montante. A outra ele doaria para instituições de caridade como a Apae e a Casa do Garoto. Além disso, compraria casas para os filhos e conhecidos que precisam de um lar.

Do lado de fora da lotérica, a aposentada Dorides de Oliveira, 72 anos, mostrava-se alheia às filas e cifras astronômicas. Ela nunca apostou na Mega Sena. “Não sou contra loteria, mas é que, por enquanto, Deus não tocou meu coração para que eu jogasse”, explicou.

Dorides é evangélica e complementa sua renda (um salário mínimo, que ela considera abençoado) distribuindo propagandas de lojas aos freqüentadores do Centro. “Esse trabalho cansa um pouco. Olha os meus pés”, disse, exibindo as pernas inchadas. O serviço rende cerca de R$ 15,00 ao dia. Aos finais de semana, a aposentada comercializa carvão para churrasco em frente à sua residência.

Ontem, Dorides entregava panfletos de uma igreja pentecostal em frente à lotérica (segundo ela, um trabalho voluntário para Jesus). “Peço a Deus que ajude a quem precisa. Ele sabe quem merece ganhar esse prêmio”, afirmou.

Só este ano, a Mega Sena pagou R$ 1.939.767,51 a apostadores de Bauru, Marília e região. Dos prêmios distribuídos, nenhum era o principal. Os palpites poderão ser registrados até as 14h de amanhã, impreterivelmente. Nesse horário, o sistema da CEF sairá do ar e as lotéricas não poderão mais aceitar apostas, mesmo que a pessoa tiver esperado horas na fila. O sorteio está marcado para amanhã, às 20h, e será transmitido em rede nacional de televisão.